Conflito rural ameaça plantio da soja no Paraguai, diz entidade

ASSUNÇÃO (Reuters) - O cultivo de soja no Paraguai na safra de 2008-09 corre riscos devido à crescente tensão entre sem-terra e proprietários rurais, disse na quinta-feira a União de Grêmios de Produção (UGP), que reúne os maiores agropecuaristas do país. A entidade disse que centenas de fazendas pararam o trabalho devido a ameaças de ocupação e destruição de máquinas.

Reuters |

Grupos de sem-terra que reivindicam uma reforma agrária intensificaram seus protestos nas últimas semanas, para impedir o uso de agrotóxicos e exigir a recuperação de terras que foram entregues irregularmente a estrangeiros.

"Se não se reconstruir o clima de paz e convivência harmoniosa, perde-se o ano agrícola. O pré-requisito fundamental para poder continuar trabalhando é que a violência não tem de tomar conta do país", disse o presidente da UGP, Héctor Cristaldo, a uma rádio local.

Os agricultores do Paraguai, quarto maior exportador mundial de soja, iniciaram semanas atrás o plantio de cerca de 2,6 milhões de hectares do produto, com a previsão de colher cerca de 6,8 milhões de toneladas entre março e abril.

Mas o resultado pode ser inferior a isso se o processo de plantio não for regularizado em 30 dias. "A esta altura, deveríamos estar completando 60 por cento do plantio no Alto Paraná, mas estamos em 40 por cento. Ainda temos um mês para completá-la, se não poderíamos perder a campanha ", disse à Reuters o médio produtor Rubén Sanabria, filiado à

UGP.

Ele disse que mais de 100 mil hectares estão obstruídos por sem-terra no Departamento do Alto Paraná, onde habitualmente são plantados 800 mil hectares por ano.

Conflitos semelhantes se repetem nos Departamentos de San Pedro e Itapúa, que junto com o Alto Paraná representam mais de 55 por cento da produção paraguaia de soja.

Camponeses de San Pedro, no centro do país, advertiram que ocuparão nos próximos dias fazendas de brasileiros na região, exigindo a sua expulsão.

O novo governo centro-esquerdista do Paraguai, sob o comando do ex-bispo Fernando Lugo, anunciou na terça-feira a convocação de um "pacto social rural" para iniciar a reforma agrária - promessa de campanha do presidente, que no governo promete respeitar a propriedade privada dos paraguaios e estrangeiros.

A soja é o principal produto de exportação do país, que vende 70 por cento da sua produção em grãos, com um faturamento anual de 900 milhões de dólares, aproximadamente.

(Reportagem de Mariel Cristaldo)

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