Conflito paquistanês pode fazer mais 500 mil refugiados, diz ONU

Por Megan Rowling LONDRES (Reuters) - A ONU se prepara para a fuga de cerca de meio milhão de pessoas da região do Waziristão caso o governo paquistanês realize uma grande operação contra militantes do Taliban na região, disse um funcionário graduado da entidade na terça-feira.

Reuters |

John Holmes, subsecretário-geral para assuntos humanitários, disse na terça-feira que estão sendo desenvolvidos planos para lidar com as consequências da eventual expansão da ofensiva militar contra a guerrilha islâmica no vale do Swat, no noroeste do Paquistão. O confronto já deixou cerca de 2 milhões de refugiados.

Holmes disse que o governo parece estar considerando uma estratégia similar nas turbulentas terras tribais do Waziristão, um reduto do Taliban na fronteira com o Afeganistão, e que isso representaria um novo problema para as já sobrecarregadas agências humanitárias.

"Meio milhão de pessoas ou mais poderiam deixar o Waziristão. Eles não irão para a mesma área geográfica (dos atuais desabrigados), então é uma operação completamente separada", explicou ele à Reuters, por telefone, de Nova York.

"Por isso o nosso planejamento tem focado nisso e em como poderíamos administrar, o que não será fácil, e exigirá um novo esforço e mais recursos", disse ele.

O exato número de civis deslocados pelo conflito no norte ainda é incerto, pois o governo continua cadastrando pessoas. Já houve estimativas dando conta de 2,5 milhões de refugiados, um fluxo que se intensificou a partir do final de abril.

Em 22 de maio, a ONU fez um apelo por 543 milhões de dólares em ajuda para os refugiados. Até quarta-feira, só havia recebido cerca de um quarto do valor.

Para Holmes, a demora na reação internacional é preocupante. "São operações muito custosas, e algumas das agências de alimentação e em outros lados estão deixando claro que não poderão continuar com isso por mais do que algumas semanas, a não ser que as verbas apareçam", afirmou.

Ele disse ainda não saber explicar a relutância dos governos nacionais em ajudar, já que há grande interesse internacional --especialmente dos EUA-- em que o Paquistão combata a militância islâmica.

Holmes estimou que os refugiados ainda ficarão muitos meses afastados das suas casas, "porque as condições nas áreas aonde conseguimos chegar, como Buner, sugerem que há muito trabalho a fazer para restaurar os serviços básicos e realizar a limpeza".

A ONU ainda não conseguiu chegar a diversas áreas do conflito, e só a Cruz Vermelha teve acesso a Mingora, principal cidade do vale do Swat.

(Reportagem de Megan Rowling)

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