Conflito no Líbano faz soar alarmes no mundo inteiro

Por Andrew Roche LONDRES (Reuters) - A tomada da metade islâmica de Beirute pelo Hezbollah fez soar alarmes no mundo árabe e no Ocidente na sexta-feira, enquanto o enfraquecido governo libanês classificava a manobra como um golpe armado.

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Na sexta-feira, o governo norte-americano repetiu seu 'firme comprometimento com e firme apoio' ao governo do primeiro-ministro Fouad Siniora. O Egito e a Arábia Saudita pediram que ministros das Relações Exteriores de países árabes se reunissem com urgência.

No pior conflito interno surgido no Líbano desde a guerra civil transcorrida entre 1975 e 1990, homens armados enfrentaram-se nas ruas de Beirute, nesta semana.

Um impasse entre a oposição liderada pelo Hezbollah e o gabinete de Siniora, apoiado pelos EUA e pelos aliados árabes dos norte-americanos, paralisa o país e deixa vago, desde novembro, o cargo de presidente. O Hezbollah conta com o apoio da Síria e do Irã.

A Casa Branca disse estar 'muito preocupada' com as ações do Hezbollah e convocou os governos sírio e iraniano a deixarem de dar apoio ao grupo militante xiita.

A União Européia (UE), a Alemanha e a França pediram calma e defenderam a solução pacífica do impasse.

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, telefonaria para líderes de países do Oriente Médio a fim de discutir a crise, disse Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado.

'Eu gostaria de reafirmar nossos firme comprometimento com e firme apoio ao governo Siniora', disse.

'Eles estão adotando todas as medidas corretas. A forma como mobilizaram as Forças Armadas serve aos melhores interesses do povo libanês e do Líbano.'

O porta-voz afirmou a repórteres não ter notícias sobre qualquer 'elaboração' de plano para o envio de forças norte-americanas à região.

McCormack ainda acusou o Hezbollah de ser um grupo de 'gangues armadas que usam a violência e a ameaça do uso da violência para atingir objetivos políticos' que apenas prejudicariam o povo libanês.

Segundo o porta-voz, os EUA haviam encorajado os que têm influência sobre a Síria e o Irã a 'dizer-lhes que deveriam usar qualquer tipo de respaldo que possuam com o Hezbollah a fim de convencer o grupo a abdicar desse tipo de ação'.

APELO POR NEGOCIAÇÕES DE CRISE

A coalizão de governo liderada por Siniora responsabilizou pessoas ligadas ao Hezbollah pelo agravamento da crise.

'O golpe armado e sanguinário que está sendo realizado visa permitir a volta da Síria ao Líbano e estender o alcance do Irã até o Mediterrâneo', afirmou o governo em um comunicado lido pelo líder cristão Samir Geagea.

A Síria disse que a crise era uma questão interna do Líbano. Já o Irã responsabilizou as 'interferências temerárias' dos EUA e de Israel pela onda de violência.

A Arábia Saudita é o maior aliado do governo atualmente no poder no Líbano, um governo liderado pelos sunitas.

'O Egito e a Arábia Saudita pediram a realização imediata de um encontro do conselho de ministros das Relações Exteriores dos países-membros da Liga Árabe', disse um porta-voz da chancelaria egípcia, segundo a agência de notícia Mena, do Egito.

'O encontro deve ocorrer dentro dos próximos dias', acrescentou.

O presidente de Israel, Shimon Peres, disse que o Hezbollah estava deixando o Líbano 'à beira de uma guerra civil'.

'Isso não tem relação nenhuma com Israel. Trata-se de um conflito interno', afirmou Peres. 'Isso representa uma tragédia para eles. E uma tragédia para todos nós.'

Dois anos atrás, Israel iniciou uma guerra contra o Hezbollah depois de o grupo ter capturado dois soldados israelenses.

A França ofereceu-se para ajudar as partes em conflito a negociar, disse o ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner.

'Pedimos que todos, que cada uma das partes, cada uma das forças, que todos parem de lutar e que retomem o diálogo.

Pedimos que as barricadas sejam levantadas e que o aeroporto seja reaberto', acrescentou o Kouchner.

A França e a Itália afirmaram estar preparando planos de retirada de seus cidadãos do Líbano. A Grã-Bretanha, a França e a Eslovênia divulgaram alertas desaconselhando viagens ao território libanês.

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