Galina Niyázova. Dushanbe, 28 ago (EFE).- O conflito entre Geórgia e Ossétia do Sul e a atuação da Rússia foram os temas que dominaram a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês), realizada hoje, na capital do Tadjiquistão, e que terminou com a adoção da Declaração de Dushanbe.

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que pela primeira vez assistiu a uma reunião de alto escalão da SCO, integrada - além da Rússia - por China, Cazaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, defendeu a atuação de Moscou no conflito no Cáucaso e se mostrou satisfeito com a postura de respaldo de seus colegas.

"Durante a conversa, chegamos à conclusão de que é imprescindível respeitar a ordem mundial, e que o país que comete uma agressão deve responder por suas conseqüências", disse o chefe do Kremlin, ao se referir ao ataque da Geórgia contra a região separatista da Ossétia do Sul no dia 8 de agosto.

Antes da aprovação da declaração da cúpula, Medvedev agradeceu os países da SCO por sua "compreensão e avaliação objetiva dos esforços de paz russos".

No entanto, a Declaração de Dushanbe respaldou não só os esforços de paz da Rússia no Cáucaso, mas também reiterou a defesa dos países-membros ao princípio da integridade territorial dos Estados.

"Os presidentes (da SCO) ratificaram sua defesa ao princípio do respeito às tradições culturais e históricas de cada país, e a seus esforços para conservar a unidade do Estado e sua integridade territorial", diz o documento.

Esta afirmação parece contraditória para a Rússia, que reconheceu na terça-feira as independências da Ossétia do Sul e da Abkházia.

A SCO manifestou apoio ao acordo de cessar-fogo na Ossétia do Sul, aprovado em Moscou no dia 12 de agosto e que respaldou o "papel ativo da Rússia em propiciar a paz e a cooperação na região".

"Os Estados-membros da SCO expressam sua profunda preocupação pelas tensões surgidas recentemente na questão osseta, e pedem que as partes resolvam os problemas existentes por meio do diálogo pacífico e empenhem esforços para a reconciliação e a reativação das conversas", destaca a declaração.

Os governantes da SCO criticaram a Geórgia pelo uso da força militar contra a Ossétia do Sul ao assinalarem que a "aposta exclusivamente pela força não tem futuro e entorpece a regra dos conflitos locais".

Além disso, expressaram seu convencimento de que "a segurança de alguns Estados não pode ser conseguida às custas da segurança de outros e que a segurança internacional deve se basear nos princípios da confiança, no benefício mútuo, na igualdade e na cooperação".

Medvedev expressou sua convicção de que "a posição dos Estados-membros da SCO terá uma grande repercussão internacional e será um sinal sério para aqueles que tentam apresentar o branco como preto e justificar a agressão do Governo georgiano (contra a Ossétia do Sul)".

O chefe do Kremlin se reuniu ontem com o presidente da China, Hu Jintao, que afirmou que Pequim apóia firmemente o direito da Rússia de organizar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, que acontecerão em Sochi, no Mar Negro.

Estas palavras de apoio do presidente chinês acontecem em meio a declarações de alguns políticos ocidentais que questionam o direito de Sochi de receber os Jogos Olímpicos após o reconhecimento de Moscou das independências da Ossétia do Sul e da Abkházia.

Enquanto em Dushanbe Medvedev não conseguia apoio ao reconhecimento russo das autonomias das regiões separatistas georgianas, em Paris, o ministro de Assuntos Exteriores francês, Bernard Kouchner, cujo país exerce a Presidência rotativa da União Européia (UE), afirmava que estão sendo estudadas "sanções" contra a Rússia, entre outras formas de pressão.

Kouchner deixou claro que é preciso aguardar a decisão da próxima cúpula extraordinária da UE, na segunda-feira, na qual será examinada a crise na Geórgia e o futuro das relações do bloco europeu com a Rússia. EFE gln/wr/gs

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