Conflito na RDC obriga milhares de pessoas a deixarem suas casas

Gemma Parellada.

EFE |

Goma (RDC), 7 nov (EFE) - Milhares de deslocados na República Democrática do Congo (RDC) fogem para Goma, a capital da província de Kivu Norte, leste do país, após a retomada dos combates em Kivati, onde há um acampamento que já acolhe cerca de 65 mil pessoas que tiveram que deixar seus lares.

Durante a manhã, as tropas governamentais atacaram por uma hora e meia os rebeldes tutsis em Kivati, onde estabeleceram sua linha de frente há nove dias, o que poderia levar à ruptura do precário cessar-fogo declarado pelos guerrilheiros e criar uma situação ainda mais grave na província.

Os combates recomeçaram de tarde, disse à Agência Efe Tibahanana Sirvaint, um homem de 70 anos que fazia parte da multidão que lota a estrada de saibro que liga Kivati ao centro de Goma, aonde os deslocados pretendem chegar na busca de um local seguro.

Perto dessa região, uma mulher, Loride Masimasik, disse que passou o dia fugindo e que agora iria a Goma, "sem conhecer ninguém, nem saber onde ficar".

Os deslocados, em sua maioria mulheres e crianças, levavam seus poucos pertences e tentavam escapar da violência que mantém cerca de 1,2 bilhão de pessoas fora de seus lares, das quais aproximadamente 250 mil deixaram suas casas nos últimos dois meses.

A impossibilidade de se manter em um lugar fixo pelos combates e pela destruição causados pelos rebeldes tutsis de alguns dos acampamentos que lhes davam abrigo na região de Rutshuru, 90 quilômetros ao norte de Goma, fazem com que a situação humanitária seja muito grave.

Além disso, atrapalham a chegada da ajuda médica e alimentícia a essa população.

O porta-voz militar da Missão da Organização das Nações Unidas na RDC (Monuc), tenente-coronel Jean-Paul Dietrich, informou hoje à Efe que os combates foram iniciados pelos soldados da RDC, que atacaram os rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) nas proximidades de Goma.

O CNDP mantém as posições de 29 de outubro, quando o líder dos rebeldes tutsis, Laurent Nkunda, declarou um cessar-fogo e ficou às portas de Goma após uma ofensiva na qual ocuparam grande parte de Kivu Norte.

Por sua vez, Bertrand Bisimwa, porta-voz do CNDP, confirmou a ocorrência dos combates à Efe por telefone e disse que tropas governamentais congolesas e guerrilheiros hutus ruandeses tinham participado do ataque.

"A coalizão das Forças Armadas da RDC e a Força Democrática para a Libertação de Ruanda (FDLR) atacaram nossas posições em Kibati, mas fracassaram e seguimos mantendo esse ponto", ressaltou Bisimwa.

Nkunda deteve sua ofensiva em Kivati e exigiu negociações diretas com o Governo de Kinshasa, presidido por Joseph Kabila, que se negou a aceitar uma negociação com os dois lados e disse que só a fará com todos os grupos guerrilheiros no marco dos acordos de paz assinados em novembro do ano passado e em janeiro deste ano.

Em Goma, abandonada por boa parte de sua população há dez dias, mas onde reinava uma relativa tranqüilidade, o temor de uma possível entrada da guerrilha tutsi voltou às ruas e hoje parte do comércio permaneceu fechada.

Nos três últimos dias, os combates entre rebeldes tutsis e tropas e milícias governamentais na região de Rutshuru, cerca de 90 quilômetros ao norte de Goma, resultaram na morte de pelo menos 180 pessoas, a maioria civis, segundo fontes da ONU.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, preside hoje em Nairóbi uma Cúpula, promovida pela ONU e pela União Africana (UA), para buscar soluções para o conflito do leste da RDC e evitar uma catástrofe humanitária ainda maior. EFE gp/ab/db

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