GENEBRA (Reuters) - Quase 100 mil pessoas tiveram de deixar suas casas devido ao conflito na Geórgia, disse o Acnur (Alto-Comissariado da ONU para Refugiados) na terça-feira. Um avião cargueiro da agência, levando tendas e mantimentos, pousou na manhã de terça-feira em Tbilisi, a capital da Geórgia, e no mesmo dia deve chegar um carregamento de remédios mandado pela Cruz Vermelha, segundo funcionários.

'O primeiro vôo humanitário do Acnur com mantimentos de socorro para civis afetados pelo conflito na Ossétia do Sul chegou à Geórgia nesta manhã, quando o número estimado de pessoas desabrigadas pelos combates se aproxima de 100 mil', disse Ron Redmond, funcionário do Acnur, em entrevista coletiva.

A estimativa se baseia em cifras dos governos da Geórgia e da Rússia. O conflito começou na quinta-feira, quando a Geórgia enviou tropas para tentar retomar o controle da Ossétia do Sul, região separatista que goza de autonomia desde 1992 sob proteção da Rússia, que reagiu com uma grande mobilização militar.

Autoridades russas na vizinha Ossétia do Norte disseram que 30 mil pessoas da Ossétia do Sul continuam na Federação Russa, segundo Redmond. Já a Geórgia diz que milhares de pessoas fugiram da Ossétia do Sul para a Geórgia propriamente dita.

Haveria ainda 12 mil desabrigados dentro da região separatista.

Uma equipe do Acnur que chegou a Gori, cidade georgiana perto da fronteira com a Ossétia do Sul, ouviu de autoridades locais no domingo que até 80 por cento da população havia fugido, temendo novos ataques russos.

'Isso equivaleria a cerca de 56 mil pessoas de Gori se deslocando. As autoridades dizem que a maioria foi na direção de Tbilisi e que a maioria voltaria para casa assim que a ameaça regredir', afirmou Redmond.

O presidente russo, Dmitry Medvedev, ordenou na terça-feira a suspensão das operações militares na Geórgia.

Agências humanitárias renovaram seu apelo pela abertura de corredores humanitários através dos quais seria possível ajudar os civis. Os combates e a insegurança impedem o acesso à Ossétia do Sul.

'A situação no terreno está se deteriorando, provocando um movimento significativo de população', disse Elisabeth Byrs, do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

'Precisamos de acesso humanitário irrestrito à população civil e aos feridos, e para permitir que o pessoal médico e as ambulâncias cuidem dos mortos e feridos', afirmou.

A Cruz Vermelha, que na segunda-feira visitou dois pilotos russos feridos que estão sob custódia da Geórgia, solicitou acesso a todas as pessoas capturadas e detidas no âmbito do conflito.

(Reportagem de Stephanie Nebehay)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.