Conflito mata 6 e crise se aprofunda no Líbano

Por Nadim Ladki BEIRUTE (Reuters) - Intensos combates mataram pelo menos 6 pessoas e deixaram 12 feridos na quinta-feira em Beirute, segundo fontes de segurança, depois de o Hezbollah ter acusado o governo apoiado pelos EUA de iniciar uma guerra ao atacar sua rede de comunicações.

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Os confrontos nas ruas mostram que o Líbano está se afundando cada vez mais na crise política entre sunitas (governistas) e xiitas (oposição), a pior no país desde o fim da guerra civil (1975-90).

O Conselho de Segurança da ONU recomendou 'calma e moderação' às partes, enquanto a Casa Branca pediu que o grupo xiita Hezbollah, que tem apoio do Irã, pare os seus atos perturbadores.

Militantes do Hezbollah e da Amal, uma facção aliada, travaram um confronto com rifles e granadas de propulsão contra as forças governistas em várias áreas da capital, onde desde o fim da guerra civil não havia tanta violência entre libaneses.

Fontes de segurança disseram que o Hezbollah invadiu pelo menos três comitês do grupo governista Futuro. Muitos carros e lojas foram queimados, e civis fugiam aterrorizados das partes mais turbulentas.

O Hezbollah levou seus militantes às ruas na quarta-feira, ampliando a pressão sobre o governo, que havia qualificado como ilegal a rede de comunicações do grupo xiita e demitido o chefe de segurança do aeroporto local, que era ligado à facção.

Em retaliação, seguidores do Hezbollah e de seus aliados montaram barricadas em avenidas importantes e na estrada que leva ao aeroporto, paralisando grande parte da capital. Poucos vôos puderam partir ou chegar.

Os confrontos começaram minutos depois de o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, dizer que a única forma de resolver a crise seria o governo rever suas decisões e participar de negociações. A crise política se arrasta há 17 meses.

'Esta decisão [do governo] foi antes de mais nada uma declaração de guerra [...] contra a resistência e suas armas, para o benefício [dos Estados Unidos] da América e de Israel', disse Nasrallah.

PROPOSTA NEGADA

O líder governista Saad Al Hariri reagiu propondo um acordo que trate as decisões do governo como 'mal-entendidos' e que deixe a solução a critério do Exército, que tem mantido a neutralidade.

Fontes políticas disseram que isso permitiria que o general Michel Suleiman, comandante do Exército, suspendesse a implementação das medidas.

O Hezbollah tem uma rede de telefonia própria que conecta seus dirigentes políticos e militares. Nasrallah disse que esses equipamentos são parte essencial da estrutura militar do grupo, que travou uma guerra de 34 dias contra Israel em 2006.

O Hezbollah rejeitou a proposta, segundo sua rede de TV, a al-Manar. A emissora exibiu uma declaração atribuída a um líder oposicionista dizendo que o Hezbollah rejeita qualquer proposta para encerrar o conflito que não seja a feita pelo líder do grupo Sayyed Hassan Nasrallah nesta quinta-feira. o pronunciamento de uma fonte

'CORTAR A MÃO'

'Eu havia dito que vamos cortar a mão que atacar as armas da resistência. Hoje é o dia de cumprir essa decisão', disse Nasrallah por vídeo de um local desconhecido na zona sul da capital.

No começo do dia já havia ocorrido um confronto no vale do Bekaa (leste), deixando cinco feridos, segundo fontes de segurança.

O embaixador dos EUA na ONU disse que o Conselho de Segurança deveria cogitar 'medidas adicionais', inclusive sanções, caso a Síria, que também apóia o Hezbollah, não se empenhe em resolver a crise.

'O Hezbollah precisa fazer uma escolha -- ser uma organização terrorista ou um partido político, mas deixar de tentar ser ambos', disse um porta-voz da Casa Branca. 'Eles precisam começar a desempenhar um papel construtivo e parar suas atividades perturbadoras agora.'

O colunista libanês Rafik Khouri, do jornal Al Anwar, descreveu o impasse da seguinte forma: 'O gabinete não pode recuar, ou estaria praticamente acabado, e não pode levar isso adiante até o final, por causa do equilíbrio de forças no terreno. E o Hezbollah não pode recuar porque estaria aceitando ter suas asas podadas, e não pode ir até o fim por causa dos perigos que a tensão sectária representa para todos.'

O Hezbollah mantém há meses uma campanha para derrubar o governo de Fouad Siniora, aliado dos EUA. A crise paralisa parte do governo e faz com que o país esteja há cinco meses sem presidente.

O grupo xiita foi a única facção libanesa autorizada a manter suas armas ao final da guerra civil, a fim de combater as forças israelenses que ocuparam o sul do país até 2000 e realizaram novas incursões em 2006. Manter ou não essas armas será uma parte integral da solução da crise.

(Reportagem adicional de Tom Perry e Laila Basam, em Beirute, e Claudia Parsons, em Nova York)

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