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Conflito faz do Congo pior lugar do mundo para crianças

GOMA - Amontoadas em miseráveis campos de refugiados ou perambulando por áreas de mata, centenas de milhares de crianças congolesas enfrentam a fome, doenças, a violência sexual ou o recrutamento por grupos armados, disseram membros de entidades de ajuda na terça-feira.

Reuters |

Semanas de violência obrigaram mais de 250 mil pessoas a fugir de suas casas ou de acampamentos precários onde haviam buscado abrigo, elevando para mais de 1 milhão o número de refugiados internos depois de anos de conflito na Província Kivu, da República Democrática do Congo. A maior parte dessas pessoas são crianças.

"O norte de Kivu é provavelmente o pior lugar de mundo para uma criança. Não há dúvida de que as crianças são as maiores vítimas dos conflitos mais recentes," disse George Graham, porta-voz em Goma (capital de Kivu) do grupo Salvem as Crianças.

A luta entre rebeldes tutsis de um lado e as forças pró-governo e membros de milícias de outro transformou-se em escaramuças esporádicas nos últimos dias, período durante o qual líderes africanos realizam cúpulas e negociam para evitar a repetição da devastadora guerra regional de 1998 a 2003, travada no Congo.

"Quando as crianças fogem da luta, tornam-se mais vulneráveis a doenças, à desnutrição e a perigos como o abuso sexual, a exploração sexual, outros atos de violência e o recrutamento por grupos armados", afirmou à Reuters, em Goma, Jaya Murthy porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Dos 1,1 milhão das pessoas expulsas de suas casas, 60% são crianças, afirmou Murthy. "Calculamos que haja entre 2 mil e 3 mil crianças em grupos armados e que haja outras sendo recrutadas neste momento."

"Essa tem sido uma situação de emergência silenciosa para as crianças nos últimos cinco anos, e apenas agora está explodindo novamente," acrescentou.

Combatentes dos dois lados atacaram, saquearam, estupraram e assassinaram civis em ações que incluem, segundo as forças de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) presentes no Congo (conhecidas com Monuc), crimes de guerra.

O grupo Human Rights Watch, com sede nos EUA, atribuiu a fontes locais a informação de que ao menos 50 civis foram mortos na semana passada, em Kiwanja (70 quilômetros ao norte de Goma).

Nyrarukundo Rivera, 42, disse à Reuters ter perdido seus filhos quando fugiu da violência naquela cidade e que não os vê desde então.

Ao menos mil casos de cólera foram registrados desde o início de outubro, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"Tememos que isso seja resultado direto da disseminação da violência", disse Paul Garwood, porta-voz da OMS. "Por enquanto, não vimos uma explosão no número de casos de cólera, mas há muitas chances de isso acontecer."

Segundo Emilia Casella, porta-voz do Programa Mundial de Alimentação (WFP), a entidade estava "extremamente preocupada" com a falta de acesso a milhares de pessoas famintas de Kivu Norte.

"Estamos aguardando qualquer brecha nos combates para distribuir alimentos em operações-relâmpago", afirmou Casella.

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