Redação Central, 20 dez (EFE).- Em meio a uma greve em São Paulo envolvendo policiais militares, que chegaram a entrar em confronto com policiais civis em manifestação, o Brasil assistiu comovido a casos de violência envolvendo crianças e adolescentes, como os de Isabella Nardoni, Eloá Pimentel, João Roberto e Rachel, encontrada morta em uma mala em Curitiba.

Um dos casos que mais chamaram a atenção foi o da menina Isabella Nardoni, morta às vésperas de completar 6 anos de idade, em 29 de março, e que foi jogada do apartamento do sexto andar onde morava com o pai, Alexandre Nardoni, 29, e a madrasta, Ana Carolina Jatobá, 24, na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo.

Presos como únicos suspeitos do crime, Alexandre e Ana Carolina ainda conseguiram um habeas corpus, em 11 de abril, mas, em 7 de maio, um mandado de prisão preventiva levou-os novamente à cadeia.

Durante as três semanas que permaneceram em liberdade, os dois ficaram na casa do pai de Alexandre, o advogado Antonio Nardoni, no Tucuruvi, próximo ao local do crime, que foi cercada por uma multidão que reuniu de curiosos a pessoas que xingavam o casal, além de vendedores ambulantes que aproveitavam o movimento.

O casal afirmava que uma terceira pessoa, provavelmente um ladrão, entrou no apartamento e matou Isabella, que teria sido deixada pelo pai no quarto enquanto ele descia à garagem para ajudar a madrasta a subir com os outros dois filhos.

No entanto, um vizinho afirmou, em depoimento, que o filho de 3 anos do casal dissera a ele que nenhum ladrão entrou no apartamento na noite da morte de Isabella.

Além disso, o tempo entre a chegada do casal no prédio e a morte de Isabella - pouco mais de 12 minutos - foi considerado muito curto para a versão da defesa.

Um laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo atestou ainda que uma amostra de sangue encontrada na cadeira para transporte de criança no carro do casal era de Isabella.

Alexandre e Ana Carolina responderão a júri popular, cuja data ainda não foi marcada.

Em Santo André, na Grande São Paulo, Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, foi morta em 17 de outubro com um tiro na cabeça e outro na virilha, após passar quase cinco dias como refém do ex-namorado Lindemberg Fernandes Alves, de 22, que não se conformava com o fim do relacionamento.

A Polícia Militar paulista foi duramente criticada por sua atuação, por não conseguir acabar com o seqüestro cometido por um amador mesmo com todo o tempo disponível e ainda permitir que Nayara, amiga de Eloá e também seqüestrada, voltasse ao cativeiro dois dias após ser liberada por Lindemberg.

A própria Nayara, que ficou ferida após ser baleada no rosto, contradisse a Polícia ao negar, em depoimento, que o seqüestrador tivesse atirado antes da entrada dos agentes, como dizia a versão policial.

Eloá foi baleada um dia depois de que policiais civis em greve trocarem tiros, em 16 de outubro, com policiais militares que faziam a guarda do Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo estadual de São Paulo.

Tentando chegar ao palácio, os grevistas entraram em choque com policiais militares que faziam a segurança do local, proibido para manifestações públicas por ser considerado área de segurança pública.

Embora apenas estes últimos devessem estar portando armas, que se destinam ao uso em serviço, alguns policiais civis foram armados à manifestação, que explodiu em violência, com 30 feridos, entre eles um coronel da PM e um cinegrafista.

A greve, iniciada um mês antes, em 16 de setembro, só terminou um mês depois, em 13 de novembro, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Durante esses dias, estima-se que 250 mil boletins de ocorrências tenham deixado de ser feitos no estado de São Paulo.

Durante a greve dos policiais paulistas, também ocorreu outro caso chocante, com o assassinato de crianças atribuído ao pai e à madrasta, em Ribeirão Pires, na Grande São Paulo, onde os corpos dos irmãos Igor Giovani, 12, e João Vítor, 13, foram encontrados esquartejados em sacos de lixo em frente à casa onde moravam, em 5 de setembro.

No ano passado, os dois já haviam passado meses em um abrigo devido a maus-tratos do pai, João Alexandre Rodrigues, 40, e da madrasta, Eliane Aparecida Rodrigues, 36, ambos presos acusados pelo duplo assassinato.

Já na capital paranaense, Curitiba, em 5 de novembro, a menina Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre, de 9 anos, foi encontrada morta dentro de uma mala em uma rodoviária. Um ex-presidiário foi detido como suspeito, em Itajaí (SC). Segundo a polícia, a principal hipótese é de que ela teria sido estuprada e depois estrangulada.

Lembrando o caso Isabella, não pelas circunstâncias, mas pela revolta popular, a morte do menino, João Roberto Amorim, de 3 anos, morto em 6 de julho durante uma perseguição policial no Rio de Janeiro também causou comoção no país.

Neste caso, ocorrido na Tijuca (zona norte do Rio de Janeiro), a indignação foi causada pela absolvição do policial militar William de Paula, que disparou contra o carro onde o menino estava com a mãe, mesmo depois que ela jogou uma bolsa de bebê para fora do carro, a fim de indicar que não eram criminosos que estavam no interior do veículo. EFE jp/mh/an

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