TEGUCIGALPA - Um homem morreu na noite de terça-feira, vítima de um tiro recebido durante confronto entre seguidores do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e a polícia de Tegucigalpa, disse nesta quarta-feira uma fonte legista local. Outra três pessoas foram baleadas.


O chefe de polícia José Danilo Orellana confirmou a morte, embora não tenha fornecido mais informações sobre a identidade da vítima.

Ele apenas indicou que a morte ocorreu em um bairro, durante uma manifestação de seguidores do presidente (Manuel) Zelaya, que arrombaram um supermercado para roubar. O policial afirmou também que algumas pessoas foram presas durante o conflito, mas não soube informar o número.  

Toque de recolher

Nesta quarta-feira, o governo interino de Honduras anunciou a suspensão temporária do toque de recolher imposto no país inteiro desde a última segunda-feira, quando Zelaya voltou a Tegucigalpa.

Em um anúncio transmitido em cadeia nacional de rádio e televisão, o governo do presidente interino, Roberto Micheletti, anunciou que o toque de recolher estaria suspenso nesta quarta-feira das 10h às 17h, no horário local (13h às 20h, no horário de Brasília).

Segundo o governo, a medida tem o objetivo de permitir que a população compre alimentos em supermercados e vá até agências bancárias.

De acordo com o jornal hondurenho El Heraldo, logo depois do anúncio, muitos habitantes da capital Tegucigalpa saíram às ruas e foram registradas filas em supermercados, postos de gasolina e bancos.

Segundo a imprensa hondurenha, apesar do toque de recolher, foram registrados saques em supermercados, lojas e agências bancárias na última madrugada.


Soldados cercam embaixada brasileira / AFP

Embaixada cercada

Nesta quarta-feira, soldados e policiais antimotim hondurenhos cercaram novamente a embaixada brasileira na capital Tegucigalpa, onde o presidente deposto Manuel Zelaya está refugiado, no que ameaça se tornar uma longa disputa que deve agravar a crise do país.

Centenas de efetivos de segurança, alguns mascarados e outros portando armas automáticas, cercaram uma área ao redor do prédio da embaixada do Brasil onde Zelaya se refugiou com a família e um grupo de 40 partidários.

Confrontos na terça-feira

Policiais e militares dispersaram com bombas de gás lacrimogêneo, carros hidrantes e uma antena que emitia um som ensurdecedor os manifestantes que se aglomeravam diante da embaixada brasileira na terça-feira. Os manifestantes pró-Zelaya se defenderam jogando pedras, num conflito que deixou dezenas de feridos e presos .

Em entrevista ao jornal chileno "La Segunda", Zelaya qualificou de "ataque aleivoso" a repressão policial contra seus apoiadores que se reuniram diante da Embaixada do Brasil, onde ele recebeu abrigo na segunda-feira, quando voltou a Honduras.


Polícia dispersa partidários de Zelaya na manhã de terça-feira / AP

Negociações para diálogo

O presidente de fato, Robert Micheletti, disse que Zelaya pode ficar na embaixada por "5 ou 10 anos, nós não temos nenhum inconveniente que ele viva ali", sinalizando estar preparado para um conflito demorado.

O governo de facto se recusou a suavizar sua posição contra a volta de Zelaya. "Zelaya nunca voltará a ser presidente desse país", disse Micheletti em entrevista à Reuters.

Mais tarde, ele disse estar disposto a conversar com Zelaya se ele reconhecer a legitimidade da próxima eleição presidencial marcada para 29 de novembro, mas esclareceu que não negociaria a volta do presidente deposto ao poder.

Zelaya não respondeu à oferta de diálogo, mas disse em entrevista à imprensa local que está aberto a conversar. "Se estou aqui, o que custa sentar a uma mesa de diálogo?", disse Zelaya, que, no entanto, duvidou das reais intenções de negociação de Micheletti.

Os Estados Unidos, a União Europeia e a Organização dos Estados Americanos (OEA) pediram uma saída negociada para que Zelaya retorne ao poder.

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