Conflito entre israelenses e palestinos é mais um desafio a Obama

Jerusalém, 5 nov (EFE) - Israel violou o cessar-fogo assinado em junho com o Hamas em Gaza com um ataque cometido na faixa, ao mesmo tempo em que Barack Obama se transformou no 44º presidente eleito nos Estados Unidos. Seis milicianos do movimento islamita morreram em uma operação terrestre e aérea que foi respondida, a partir da faixa palestina, com o lançamento de mais de 30 foguetes e foi a mais violenta nos mais de quatro meses de trégua. Segundo o Exército de Israel, o alvo do ataque da noite de terça-feira foi um túnel pelo qual, assegurou, o Hamas preparava uma incursão para capturar soldados israelenses, a exemplo do que fez com Gilad Shalit, em poder do movimento islâmico desde 2006. A operação aconteceu, no entanto, sem que houvesse qualquer ação armada do Hamas, e depois de o Exército israelense ter ignorado os foguetes que, embora esporadicamente, continuaram sendo lançados a partir de Gaza após o início do cessar-fogo. Este foi o primeiro incidente que inclui, desde então, combates entre as duas partes, e com baixas dos dois lados. Além dos seis milicianos palestinos mortos, nos confrontos foi contabilizado o mesmo número de soldados israelenses feridos.

EFE |

Apesar da escalada da violência, Israel e Hamas evitaram declarar interrompida aquilo que, eufemísticamente, chamam de "a calma".

Um porta-voz do movimento islâmico, Fawzi Barhum, condenou firmemente o ataque israelense, e afirmou à imprensa local que "a agressão demonstra que Israel não está interessado na trégua e contínua batendo nos palestinos".

Outras fontes oficiais do Hamas anteciparam, no entanto, que o grupo entrou em contato com o Egito - que faz a medição com Israel- para manter o pacto em vigor.

Enquanto isso, o Exército israelense ressaltou em comunicado que o ataque foi uma "ação pontual", inscrito na estratégia de caráter preventivo à qual os militares de Israel recorrem com assiduidade para justificar suas operações.

A doutrina encontra eco no atual presidente americano, George W.

Bush, mas é rejeitada pelo novo líder da Casa Branca.

A necessidade de prevenir um ataque do regime de Saddam Hussein foi o argumento usado por Bush para invadir o Iraque em uma guerra à qual Obama se opôs desde o início. O novo presidente americano disse que retirará, em 16 meses, as tropas americanas de território iraquiano.

Após o desaparecimento do antigo regime de Bagdá, o de Teerã representa a principal ameaça contra o Estado judeu.

E não faltaram vozes no estamento militar e na classe política israelense que pediram nos últimos meses a Bush que os Estados Unidos fizessem também uma "operação preventiva" contra o Irã antes de deixar a Casa Branca, em janeiro.

Isso não aconteceu com Bush, e será difícil que ocorra com Obama, pelo menos a curto e médio prazo.

O próximo presidente americano privilegia a via diplomática com o Irã, e é partidário de abrir negociações com o regime de Teerã contra a postura de Israel.

Por isso, deixar claro que o Estado judeu se reserva todas as opções em qualquer momento e circunstância em uma região onde é a potência militar seria a melhor mensagem enviada. EFE amg/db

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