Conflito em Gaza deixa mais de mil mortos, diz fonte palestina

O balanço da ofensiva israelense na Faixa de Gaza alcançou os mil mortos, anunciou nesta quarta-feira o chefe dos serviços de emergência do território palestino.

Redação com agências internacionais |

"O número de mártires alcançou 1.001 desde o início da ofensiva contra a Faixa de Gaza e o de feridos supera 4.580", declarou o doutor Muawiya Hassanein à AFP. O Centro Palestino para Direitos Humanos, com sede em Gaza, afirmou que, entre os mortos, há mais de 670 civis.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirmou nesta quarta que já chega a 300 o número de crianças palestinas mortas no conflito.

"A cada dia mais crianças são mortas, seus corpos feridos, suas jovens vidas sacudidas. Não são apenas números frios. Falamos de vidas de crianças interrompidas. Nenhum ser humano pode ser testemunha disto sem se comover e nenhum pai pode ver isto e não ver seu próprio filho", declarou a diretora-executiva do Unicef, Ann Veneman, em comunicado .

"Isto é trágico e inaceitável", afirmou Veneman, que disse que o acesso humanitário, especialmente aos mais vulneráveis, não deve ter obstáculos.

A diretora da Unicef afirmou que a resolução recentemente adotada pelo Conselho de Segurança da ONU e que pede um cessar-fogo diz que a população civil deve ser protegida e que as escolas e instalações de saúde devem ser consideradas áreas de paz.

"A crise em Gaza é muito singular, pois as crianças e suas famílias não têm para onde escapar, não têm refúgio", acrescentou. As crianças de Gaza, afirmou, carregam o peso de um conflito "que não é o seu. Deve-se dar absoluta prioridade a sua proteção".

"Não há tempo a perder"

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, que chegou ao Egito nesta quarta-feira,  voltou a pedir o cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza e prometeu redobrar seus esforços para assegurar o fim da ofensiva.

"Peço às duas partes que cessem os combates já, pois não há tempo a perder", afirmou Ban Ki-moon aos jornalistas, depois de um encontro com o presidente egípcio Hosni Mubarak no início de uma viagem pelo Oriente Médio.


Mulher palestina chora durante funeral de um dos militantes do Hamas / AP

Nesta quarta-feira, Ban se reuniu com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, no Cairo, na primeira parada de uma visita que incluirá ainda Jordânia, Israel, Turquia, Líbano, Síria, Kuweit e Cisjordânia.

Segundo a ONU, Ban começou sua viagem "frustrado e preocupado" com as recusas do Governo de Israel e do movimento palestino Hamas de acatar a resolução do Conselho de Segurança da ONU.

Estratégia

Apesar dos esforços diplomáticos por um cessar-fogo, nesta quarta-feira, 19º dia do conflito, tropas israelenses e militantes palestinos continuaram a se enfrentar nos arredores da Cidade de Gaza, com registros de explosões e trocas de tiros.

Israel afirmou que mais três foguetes foram lançados a partir do território libanês contra a cidade de Kiryat Shmona, no norte do país.

Quatro foguetes já haviam sido lançados contra Israel a partir de território libanês na semana passada, aumentando temores de que o conflito se espalhe pela região.

Analistas afirmam, no entanto, que Israel parece estar evitando um ataque em massa contra a Cidade de Gaza, porque combates intensos na zona urbana poderiam causar muitas mortes dos dois lados, o que seria um risco político a menos de um mês das eleições israelenses.

Fontes ouvidas pela BBC também afirmam que há sinais de divisões no gabinete israelense. Segundo essas fontes, o ministro da Defesa, Ehud Barak, defende uma diminuição na ofensiva, mas o primeiro-ministro, Ehud Olmert, quer pressionar com mais ataques.

19º dia de conflitos

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