Conflito deixa pelo menos nove civis mortos na Somália

Mogadíscio, 8 fev (EFE).- Pelo menos nove civis morreram e outros 14 ficaram feridos por conta de bombardeios de artilharia que acontecem desde domingo em Mogadíscio, capital da Somália, confirmou hoje o Centro Elman para Direitos Humanos.

EFE |

As tropas da Missão da União Africana na Somália (AMISOM, pela sigla em inglês) e membros da milícia islâmica Al Shabab combatem com morteiros e outras armas pesadas, incluindo tanques, na zona norte da cidade, segundo o vice-presidente da agência humanitária, Ali Yassin Ghedi.

"O número de mortos é o registrado até esta madrugada. Nossos voluntários estão compilando os dados correspondentes ao dia de hoje", disse Ghedi, lamentando que "quando a Al Shabab abre fogo com morteiros, os soldados da AMISOM respondem com disparos de tanques e outros mísseis pesados, por isso o número de vítimas é tão alto a cada confronto".

Residentes das zonas das trocas de tiros confirmaram que alguns dos mísseis disparados pelas tropas da União Africana tiveram "impacto direto nas fileiras da Al Shabab".

"Vimos guerrilheiros da Al Shabab recolhendo cadáveres e transferindo vários feridos, mas não sei qual é o número exato de vítimas", disse por telefone à agência Efe Abdulkader Humow, que vive em um dos distritos mais afetados pelos bombardeios.

Os habitantes de Mogadíscio se preparam para um reaquecimento da guerra na capital após o anúncio do Governo Federal de Transição (TFG, sigla em inglês) que lançaria uma ofensiva militar contra os insurgentes da Al Shabab e da Hezb al Islam, outra milícia radical, que controla grande parte da Somália.

Por sua parte, a Al Shabab, que admitiu manter vínculos com a Al Qaeda, começou a levantar barricadas nas ruas principais da cidade, preparando-se para uma guerra aberta e anunciou que vai fazer "dezenas de ataques suicidas" nos próximos dias.

Abdi Sheikh Abdilahi, que afirmou ser o comandante da brigada suicida da milícia, disse hoje à Efe, por telefone, que o grupo tem cerca de 200 jovens preparados para realizar atentados suicidas: "Eles vão agir onde as forças inimigas nos atacarem", afirmou.

Enquanto isso, forças do Exército da Etiópia, que apoia o TFG, entraram hoje por algumas horas no território da Somália e detiveram dois cidadãos somalis, supostamente relacionados com a Al Shabab.

A incursão militar etíope aconteceu na localidade de Elberde, a poucos quilômetros da fronteira entre os dois países, explicou Adam Gagale, um habitante da zona, em contato telefônico com a Efe.

"Os soldados etíopes entraram, revistaram algumas casas e detiveram dois homens que têm conexões com a Al Shabab", disse Gagale, que garantiu que "os etíopes agrediram os habitantes, mas não mataram ninguém".

A Somália vive um caos político e militar desde 1991, quando líderes de clãs tribais, conhecidos como "senhores da guerra", derrubaram o Governo do ditador Siad Barre e dividiram o país com ajuda de milícias armadas.

A crise piorou a partir de 2006, quando a antiga União das Cortes Islâmicas (UCI, sigla em inglês) entrou no conflito com ajuda de sua ala armada, a Al Shabab, que lançou uma jihad (guerra santa) à qual se uniram depois outros grupos fundamentalistas islâmicos menores.

EFE ia-aa/fm

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