Conflito agrário na Argentina está ainda sem saída

O governo argentino e os agricultores, revoltados com as medidas fiscais impostas pelo governo, ratificaram neste domingo suas posições e, por conseqüência, o conflito, que já dura três meses, continua sem saída, e afeta a distribuição de alimentos e combustíveis e trava as exportações de cereais.

AFP |

Os ruralistas protestam contra a medida de impostos móveis à exportação de soja e outros grãos, adotada em 11 de março pelo governo.

No Rio de La Plata, em Buenos Aires, mais de 90 navios de carga esperam a autorização para entrar nos portos argentinos para transportar cereais e oleaginosas, segundo informou a imprensa local.

O protesto se agravou neste fim de semana depois que a polícia alfandegária desmantelou o bloqueio da estrada 14, conhecida como a estrada do Mercosul, e prendeu 19 manifestantes, entre eles o carismático dirigente rural Alfredo de Angeli.

O chefe de gabinete, Alberto Fernández, lamentou neste domingo que o protesto continue e acusou alguns setores da oposição de se aproveitar desse momento crítico para desestabilizar o governo da presidente Cristina Kirchner.

O funcionário lamentou que o conflito tenha se agravado após a decisão das quatro entidades que representam os produtores agropecuários de dispor uma nova paralisação das atividades até a próxima quarta-feira, quando realizarão uma passeata de protesto.

Organizações sociais ligadas ao governo convocaram para a próxima quarta-feira um ato de apoio ao governo na Praça de Maio de Buenos Aires.

Fernández negou que as autoridades tenham sido inflexíveis ao negociar com os manifestantes, que receberam a oferta de medidas compensatórias para os pequenos produtores agropecuários.

De Angeli, no entanto, ratificou os bloqueios nas estradas para o transporte de grãos para exportação "pelo tempo que for necessário", advertiu.

O dirigente reiterou o pedido às autoridades para iniciar "um diálogo sério e transparente, mas sem imposições", que permita uma saída do longo conflito.

O líder agrário rebateu a acusação do governo de que os protestos causam o desabastecimento de alimentos e combustíveis.

"Nós não vamos desabastecer, porque o bloqueio das estradas é para os grãos de exportação, nada mais. Não vamos bloquear a mercadoria que vai para as prateleiras dos supermercados", garantiu.

O desabastecimento é provocado porque os caminhoneiros que transportam os grãos, afetados pelas medidas dos produtores agropecuários, bloqueiam a passagem de qualquer tipo de caminhão para exigir a normalização da atividade.

As dificuldades para viajar também geraram perdas para os pontos turísticos, que tiveram menos visitantes que o esperado neste fim de semana prolongado, já que na segunda-feira é feriado na Argentina.

O sindicato de motoristas de ônibus organizou, entre a tarde de sábado e a manhã deste domingo, uma paralisação em protesto pela demora que os ônibus de passageiros sofrem nas estradas.

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