Confirmada vitória eleitoral de coalizão governista libanesa

Por Nadim Ladki BEIRUTE (Reuters) - O Líbano confirmou na segunda-feira a surpreendente vitória eleitoral de uma coalizão anti-Síria contra o Hezbollah e seus aliados.

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O ministro do Interior libanês, Ziad Baroud, disse que o bloco ligado ao político pró-ocidental Saad al Hariri conquistou 71 das 128 vagas no Parlamento, contra 57 para uma aliança que reúne as facções xiitas Hezbollah e Amal e o líder cristão Michel Aoun.

O total de Hariri inclui três independentes que concorreram nas suas listas na eleição de domingo, na qual muitos previam uma apertada vitória para o Hezbollah e seus parceiros.

Houve festa dos vencedores madrugada adentro em Beirute. A vitória renova o mandato de Hariri, quatro anos após uma eleição que se seguiu à retirada das tropas sírias, depois da reação internacional ao assassinato do pai dele, o ex-premiê Rafik al Hariri, em 2005.

O resultado foi um golpe para Síria e Irã, que apoiam o Hezbollah, e uma boa notícia para Estados Unidos, Arábia Saudita e Egito, que simpatizam com o governo pró-ocidental.

O Hezbollah e o Amal confirmaram a boa votação em áreas xiitas, mas o bloco de Aoun foi derrotado nos importantes distritos cristãos de Zahleh e Ashrafiyeh.

Hariri, um sunita, torna-se agora favorito para dirigir o próximo governo, a exemplo do que fez seu pai, no primeiro governo civil do pós-guerra libanês.

O presidente do Parlamento, Nabih Berri, da facção Amal, aceitou o resultado e cumprimentou os vencedores. "O Líbano derrotou todas as apostas no caos e no conflito e novamente ganhou existência e reputação como um país democrático", afirmou.

Mesmo derrotado, o Hezbollah mantém um poder considerável como força guerrilheira, mais estruturada inclusive que o Exército nacional.

O resultado mais provável da eleição é um novo governo de "unidade nacional", segundo analistas, mas sua formação pode ser complicada se o bloco do Hezbollah insistir novamente em ter poder de veto.

Os EUA, que qualificam o Hezbollah como grupo terrorista, vincula qualquer futura ajuda ao Líbano à composição e atuação do próximo governo. O Hezbollah, que diz manter suas armas para combater Israel, é parte do atual gabinete.

(Reportagem adicional de Yara Bayoumy)

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