Confinados por gripe suína lutam contra monotonia em hotel de Hong Kong

Dieta a base de arroz e negócios arruinados: os hóspedes e funcionários de um hotel do centro de Hong Kong lutavam nesta segunda-feira contra a frustração e a monotonia da quarentena de sete dias imposta depois da descoberta de um caso de gripe suína.

AFP |

O hotel Metropark de Hong Kong se transformou em curiosidade turística, com os transeuntes tirando fotos dos funcionários dos serviços sanitários entrando e saindo deste hotel quatro estrelas com seus uniformes de proteção, uma cena inusual neste bairro mais conhecido por seus bares e strip-teasers.

No entanto, por trás das portas fechadas, as cerca de 300 pessoas, entre hóspedes e funcionários, bloqueadas no estabelecimento, estavam cada vez mais impacientes.

"Depois do café da manhã e do banho, só nos resta contar as lâmpadas e as manchas nas paredes", comentou à AFP a empresária britânica Leslie Carr, que deveria deixar Hong Kong ontem (domingo).

Carr passou o tempo relatando sua experiência em um blog na internet. Ao comentar a alimentação recebida, ela escreveu apenas três palavras: arroz, arroz e arroz.

A empresária também publicou no site YouTube vídeos filmados no hotel, que mostram a frustração dos confinados.

Um empresário coreano identificado como "Jimmy" se queixou de estar perdendo um negócio importante por conta do isolamento.

"Tenho que assinar contratos. Se isso não for feito ainda hoje (segunda-feira), o acordo será anulado", reclamou.

"Sou um empresário. Não quero morrer neste hotel horrível", desesperou-se.

Alguns hóspedes, porém, preferiam ver o lado positivo da situação. "Ontem ficamos navegando na internet e atendendo a ligações de meios de comunicação franceses e belgas", contou por e-mail Olivier Dolige, um empresário francês. "Assim, o tempo passa mais rápido", admitiu.

As autoridades de Hong Kong agradeceram várias vezes aos hóspedes por sua compreensão, e garantiram que pagarão as despesas hoteleiras de todos os hóspedes.

"Hong Kong tem uma densidade populacional altíssima. Se as autoridades liberassem essas pessoas que estiveram em contato com o homem infectado e acontecesse alguma coisa, elas seriam as primeiras a serem acusadas", explicou Margaret Chan, diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS) e nascida em Hong Kong, em entrevista concedida ao jornal espanhol El Pais.

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