Confiança do consumidor cai no Brasil mas se estabiliza nos EUA

A confiança do consumidor caiu acentuadamente no Brasil e na Rússia, enquanto se estabilizou nos Estados Unidos, segundo a última pesquisa global sobre confiança do consumidor publicada pela empresa de pesquisa de mercado Nielsen nesta quarta-feira. Segundo a pesquisa - realizada entre os dias 19 de março e 2 de abril entre 25.

BBC Brasil |

420 usuários da internet em 50 países -, o Brasil, a Rússia e os Emirados Árabes Unidos foram os países que apresentaram maior queda de confiança entre os consumidores nos últimos seis meses.

"Enquanto a confiança do consumidor na Europa e nos mercados desenvolvidos caiu drasticamente entre março e outubro de 2008, nos últimos meses os mercados emergentes da Rússia e América Latina foram os mais atingidos", disse James Russo, vice-presidente para a divisão de Percepção Global do Consumidor da Nielsen.

A América Latina foi a região que mais sofreu com a queda de confiança, que no Brasil foi de 21 pontos. O país que antes tinha 108 pontos, agora tem 87 pontos no índice - 100 pontos significam que a percepção não é nem positiva, nem negativa.

Nos resultados por regiões na pesquisa anterior, a confiança entre os consumidores da América Latina era uma das mais altas no índice, com 96,8 pontos para o segundo semestre de 2008. Os consumidores dos mercados emergentes eram os segundos mais confiantes, com 88,5 pontos. A Europa apresentava índice de 77,1 pontos.

A Nielsen atribui esta queda de confiança à desvalorização de moedas nesses mercados, enfraquecimento dos mercados para exportação e queda no preço global de commodities.

"Os efeitos da crise global não devem afetar os consumidores nos BRICs e nos países latinos tão duramente como os consumidores nos países desenvolvidos, mas esses mercados agora passam por um desaquecimento, em contraste com os últimos anos de crescimento", afirmou Russo.

Na Europa e na região da Ásia do Pacífico, a confiança caiu sete pontos. Na Rússia, a queda foi de 29 pontos.

EUA
Nos Estados Unidos, a confiança caiu apenas três pontos, "indicando que podemos ter chegado, ou pelo menos estamos perto, do fundo do poço neste ciclo econômico", diz Russo.

A Europa permanece a região mais pessimista do mundo com 70 pontos no índice, sete abaixo da média global, uma indicação de que a recuperação econômica da Europa será mais lenta, afirma a pesquisa.

A Indonésia é o país onde os consumidores estão mais confiantes, com 104 pontos, seguida pela Dinamarca, com 102 pontos e Índia, com 99 pontos. Os países mais pessimistas são a Coreia do Sul, com 31 pontos, seguida por Portugal e Letônia, com 48 pontos.

Ao todo, a confiança caiu em 49 dos 50 países pesquisados. A única exceção foi Taiwan, onde o índice de confiança aumentou em três pontos e chegou a 63 - um resultado ainda 14 pontos abaixo da média global.

"Os consumidores globais foram castigados por uma série de más notícias nos últimos seis meses", disse Russo.

"Anúncios diários de cortes de empregos, queda na estimativa de lucros das empresas, falências e fechamentos, a queda nas estimativas de PIBs, e previsões deprimentes nos setores de manufatura e produção combinaram para reduzir a confiança do consumidor e poder de compra para os níveis mais baixos do período pós-Guerra."
"No geral, os consumidores experimentaram um fim de ano amargo em 2008 e se prepararam um começo difícil em 2009, que é o que eles estão tendo. A única exceção é a China, onde 65 % dos consumidores que responderam à pesquisa acreditam que sua economia não está em recessão", afirma.

Além da queda geral na confiança dos consumidores, a pesquisa ainda mostrou que a segurança de emprego está hoje entre as maiores preocupações globais, pela primeira vez, desde que o índice começou a ser medido em 2004.

Seis meses atrás, as principais preocupações eram a economia e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

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