Conferência tenta levantar US$ 3 bilhões de ajuda a Gaza

Doadores internacionais participam nesta segunda-feira de uma conferência para tentar levantar fundos para ajudar na reconstrução da Faixa de Gaza, após a recente ofensiva israelense. A expectativa dos doadores é de arrecadar cerca de US$ 3 bilhões, valor estimado pela ONU e pela Autoridade Palestina para a recuperação da infraestrutura de Gaza e de sua população.

BBC Brasil |

No entanto, o encontro no balneário de Sharm El Sheikh, no Egito, é realizado sem a participação de representantes de Israel e do grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza.

Sem a colaboração do Hamas e de Israel, os fundos arrecadados na conferência dos países doadores correm o risco de não poder ser utilizados.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, anunciou que seu país vai doar US$ 900 milhões, além de "se comprometer com vigor e intensidade para tentar avançar nas negociações de paz no Oriente Médio".

A Arábia Saudita, o Catar e a União Europeia também já prometeram doar os recursos financeiros necessários para a reconstrução de Gaza.

Mais de 70 países, incluindo o Brasil, enviaram representantes ao encontro. O embaixador brasileiro em Israel, Pedro Motta, diz que o Brasil planeja doar US$ 10 milhões para a reconstrução da Faixa de Gaza.

"De acordo com os planos, o Brasil deverá doar US$ 10 milhões, uma soma que, para nós, como país pobre e em desenvolvimento, é muito dinheiro", afirmou Motta à BBC Brasil.

"O Brasil nunca foi um país doador, e esse caso representa uma mudança na nossa atitude, pois queremos contribuir para o alívio da situação humanitária e para a reconstrução da Faixa de Gaza."
"Estamos fazendo um grande esforço para fazer uma contribuição significativa, e essa soma equivale à nossa doação anterior aos palestinos, na Conferência de Paris, em dezembro de 2007", acrescentou o embaixador.

Segundo o diplomata brasileiro, os US$ 10 milhões doados pelo país em 2007 foram destinados a projetos elaborados pela Autoridade Palestina, que já foram aprovados, mas ainda não foram colocados em prática. A ajuda prevê a construção de escolas, laboratórios de hospitais e instalações esportivas.

Parte da doação de 2007 seria destinada à cooperação entre o Brasil e a Autoridade Palestina na área de desenvolvimento agrícola. Segundo o embaixador Pedro Motta, os projetos devem ser executados em breve.

O grupo islâmico Hamas controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007, depois que expulsou a liderança identificada com o Fatah da região.

O Exército israelense controla as vias de acesso terrestre, o espaço aéreo e o espaço marítimo.

Sem a abertura do bloqueio decretado por Israel, não será possivel transportar para a Faixa de Gaza materiais básicos para a reconstrução, como cimento e ferro.

Israel condiciona o fim do bloqueio à libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por militantes palestinos, e à interrupção do lançamento de foguetes a partir da Faixa de Gaza contra o sul do país.

A abertura das vias de acesso a Gaza depende também de um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas.

Projetos de construção e mesmo de retirada das grandes quantidades de escombros não poderão ser realizados sem o acordo com o Hamas, que tem o controle absoluto de tudo que ocorre na Faixa de Gaza.

Os fundos arrecadados deverão ser entregues à Autoridade Palestina, que é liderada pelo Fatah e controla a Cisjordânia, mas perdeu todos os seus mecanismos de governo na Faixa de Gaza para o Hamas.

O primeiro-ministro palestino, Salam Fayad, elaborou um plano que inclui não só a reconstrução fisica da Faixa de Gaza, mas também a assistência necessária às familias de cerca de 1,3 mil mortos, a 1,9 mil deficientes fisicos que precisarão de recuperação e a cerca de 100 mil pessoas que ficaram sem moradia.

De acordo com o plano de Fayad, US$ 315 milhões serão destinados à reconstrução de instituições sociais que ficaram danificadas ou totalmente destruídas, como escolas, hospitais e mesquitas.

A reconstrução da infraestrutura urbana, como redes de água, eletricidade e esgoto, deverá custar US$ 500 milhões.

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