Conferência sobre Desarmento da ONU reativa negociação nuclear mundial

As potências nucleares interromperam nesta sexta-feira mais de uma década de estagnação, ao decidirem pela retomada das negociações durante a Conferência sobre o Desarmamento das Nações Unidas.

AFP |

Os 65 países que participam deste fórum permanente de negociação sobre desarmamento, que inclui os Estados que possuem armas atômicas, "chegaram a um acordo em torno de um programa de trabalho para 2009", anunciou Elena Ponomareva, porta-voz da ONU em Genebra.

Esta é a primeira vez desde 1996 que os Estados-membros conseguiram chegar a um acordo sobre quais temas serão negociados, entre controversos pedidos por um desarmamento nuclear total, por uma proibição da produção de material para a fabricação de bombas e pela suspensão da corrida armamentista no espaço.

O embaixador britânico para o desarmamento, John Duncan, classificou a decisão unânime de "resultado fantástico".

"Precisamos passar de uma década de estagnação para uma década de decisões, e agora estamos no caminho para tomar essas decisões", acrescentou.

O acordo ocorreu depois de um grande número de países terem afirmado recentemente que estavam dispostos a apoiar uma proposta apresentada no início do mês por um grupo de Estados não-nucleares, liderados pela Argélia, assim como a distensão das relações entre Estados Unidos e Rússia.

Até a Coreia do Norte apoiou a decisão, apesar da forte tensão vivida atualmente na península coreana, epois que Pyongyang realizou, na segunda-feira, um novo teste que aumentou a preocupação internacional sobre seu programa nuclear.

"Todos nós estávamos preocupados com a República Democrática Popular da Coreia do Norte, sobre como reagiriam", afirmou Duncan.

"A primeira reação foi difícil, mas a superaram e agora apóiam o acordo", acrescentou.

Um dos temas mais controversos da conferência de Genebra foi a proposta de negociações sobre um tratado para proibir a produção de material nuclear usado na fabricação de bombas, defendida principalmente pelos países ocidentais.

Rússia e China responderam pedindo um tratado para evitar uma corrida armamentista no espaço. Estas propostas sempre foram rejeitadas pelos Estados Unidos, principalmente durante o governo do presidente George W. Bush.

Outros países, incluindo recentes potências nucleares como Paquistão e Índia, pediam a negociação de um desarmamento nuclear total.

Todas as questões foram incluídas na proposta elaborada pela Argélia, que defende a criação de grupos de trabalho paralelos sobre cada questão.

Os Estados Unidos afirmaram na terça-feira que estão dispostos a deixar de lado suas reservas para retomar as negociações, com base na ampla proposta argelina, apesar de terem algumas dúvidas sobre a linguagem em que está redigida.

Em março, o ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, deu uma mostra da recente aproximação entre Moscou e Washington, ao afirmar que a Rússia está disposta a realizar negociações para a proibição do material físsil.

Lavrov declarou na Conferência de Genebra que um acordo de proibição do material físsil marcaria "um marco importante no processo de desarmamento nuclear e no fortalecimento do regime de não-proliferação nuclear".

pac/dm/fp

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