Conferência Islâmica pede que Filipinas e separatistas retomem negociações

Manila, 13 nov (EFE).- A Organização da Conferência Islâmica (OCI) pediu hoje ao Governo das Filipinas e à Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI) que ponham fim às hostilidades no sul do país, que causaram 300 mortes e deixaram quase 500 mil deslocados, e retomem a negociação de paz que foi rompida em agosto.

EFE |

O secretário-geral da OCI, o turco Ekmeleddin Ihsanoglu, disse em comunicado que a atual onda de violência "reforça elementos indisciplinados que querem abortar o processo (de paz) e alimenta o radicalismo".

Além disso, ressaltou que a organização, à qual pertencem 55 países mais a Autoridade Nacional Palestina (ANP), pôs à disposição da presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo, e do FMLI todos os seus recursos para aliviar o sofrimento dos civis.

Já o chefe negociador do FMLI, Mohagher Iqbal, disse ao jornal "Inquirer" que a iniciativa da OCI é um bom sinal, mas insistiu em que só voltarão à mesa de negociações quando o Governo ratificar o acordo aprovado em julho e desaprovado depois.

As equipes negociadoras das Filipinas e do FMLI conseguiram em julho, na Malásia, país que medeia e é anfitrião das conversas desde 2000, um acordo de "terras ancestrais", o último do processo de paz e que expõe como será a região autônoma que se deseja.

A difusão dos detalhes da minuta do pacto gerou uma onda de protestos no país, e os nacionalistas recorreram ao Tribunal Supremo, que suspendeu o acordo em 4 de agosto.

Em resposta, elementos do FMLI começaram a atacar povoações de maioria cristã na ilha de Mindanao, no sul das Filipinas, e causaram uma onda de violência que deixou mais de 300 mortos, a maioria civil, e cerca de 500 mil refugiados.

Os muçulmanos de Mindanao, que povoam a ilha desde antes da chegada dos colonizadores espanhóis, formam na atualidade uma comunidade de cerca de 5 milhões de pessoas e mantêm uma difícil convivência com os cristãos, cujo número supera os 9 milhões.

Fundado em 1984, a FMLI é a maior organização separatista das Filipinas, com mais de 12 mil militantes que lutam a favor de um Estado islâmico no sul do país, dominado antigamente por sultanatos malaios. EFE csm/fh/jp

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