Conferência em Londres define nova estratégia para o Afeganistão

Londres, 28 jan (EFE).- A conferência de Londres sobre o Afeganistão definiu hoje os passos a serem tomados até o controle da segurança no país ser devolvido às autoridades afegãs e para que seja aberto um processo de reconciliação nacional que não exclua os talibãs.

EFE |

Durante seis horas, representantes de 60 nações se reuniram na Lancaster House, um palacete de Londres, para mostrar ao mundo que há um consenso internacional quanto à necessidade de Cabul recuperar progressivamente o controle do país.

No entanto, ninguém falou em retirada quando o assunto em pauta foi o futuro das tropas estrangeiras enviadas ao Afeganistão para derrubar os talibãs após os atentados de 11 de setembro de 2001.

A discussão sobre o tema limitou-se aos prazos a serem estabelecidos para que o Exército e a Polícia do Afeganistão assumam de novo a segurança em várias províncias.

"A Otan e seus parceiros da Isaf, em pleno acordo com o Governo do Afeganistão e em concordância com a resolução 9.762 do Conselho de Segurança da ONU, decidiram elaborar um plano" progressivo "para que os afegãos assumam a segurança província após província", disseram os participantes do encontro em um comunicado final.

O ministro de Assuntos Exteriores do Reino Unido, David Miliband, disse que, se as condições permitirem, a transferência da segurança "será uma realidade em algumas províncias até o fim deste ano, em 50% do Afeganistão dentro de três anos e em todo o país em cinco anos".

Na verdade, essas previsões dependem do êxito da missão militar internacional em solo afegão, que, com o reforço dos próximos meses, passará a dispor de 134 mil soldados estrangeiros para derrotar os talibãs e desequilibrar a balança.

Por sua vez, o primeiro-ministro britânico e anfitrião do encontro, Gordon Brown, disse que, na esfera militar, a situação atual pode "mudar de tendência" já em meados de 2010, o que permitirá que "o processo de entrega de distrito por distrito comece no final do ano".

Essa transferência, segundo as decisões tomadas na reunião, será acompanhada de um programa de reconciliação nacional que compensará financeiramente os talibãs que renunciarem à violência e aos vínculos com a Al Qaeda.

Miliband destacou que, só para o primeiro ano desse "fundo de reinserção", os países participantes da conferência se comprometeram a doar US$ 140 milhões. Por outro lado, negou que a iniciativa tenha como objetivo "comprar" os talibãs.

O objetivo é "oferecer segurança a longo prazo para as comunidades e mais recursos para que possam se defender", acrescentou.

O presidente afegão, Hamid Karzai, disse ainda será criado "um conselho nacional para a reconciliação e a integração nacional", além de um "conselho de paz", no qual o rei saudita, Abdullah bin Abdul Aziz, terá "um papel de destaque".

Karzai também estendeu a mão aos talibãs: "Devemos estender a mão a todos os nossos compatriotas, especialmente aos nossos irmãos que não são parte da Al Qaeda ou de outras redes terroristas e que aceitam a Constituição afegã".

A resposta talibã chegou antes mesmo da conferência, em um comunicado que dizia que o encontro em Londres era um "enganação" dos líderes mundiais que "promovem guerras".

O tom belicista também esteve presente no discurso inaugural de Brown, que deu o seguinte recado aos talibãs: "Derrotaremos vocês.

Derrotaremos vocês não só no campo de batalha, mas nos corações e nas mentes das pessoas de todo o mundo, particularmente nos corações e nas mentes do povo do Afeganistão. Derrotaremos vocês em cada um dos países em que forem buscar abrigo".

Outro tema debatido a reunião de hoje foi o combate à corrupção no Afeganistão, uma promessa de campanha de Karzai. Sobre o asusnto, o chanceler britânico disse que a comunidade internacional avaliou o compromisso do presidente reeleito de acabar com "a cultura da impunidade".

Milliband também anunciou a criação de "um escritório independente que supervisionará os esforços contra a corrupção", ao passo que Karzai prometeu "simplificar as regras e os procedimentos" administrativos.

Por fim, a conferência discutiu a cooperação regional e a importância de "a soberania, a independência, a unidade e a integridade territorial" do Afeganistão serem reconhecidas.

"O Afeganistão foi tabuleiro e vítima das lutas de outros países durante muito tempo", destacou Miliband, que considerou "inexplicável e lamentável" a ausência do Irã na reunião. EFE fpb/sc

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