Conferência de Segurança de Munique começa com polêmica entre Irã e EUA

Ingrid Haack. Munique (Alemanha), 6 fev (EFE).- A Conferência de Segurança de Munique começou hoje com um debate sobre o futuro das armas nucleares, que deixou evidente que as expectativas com o novo Governo dos Estados Unidos são grandes, mas, ao mesmo tempo, ficou claro que, por enquanto, o tom entre os conflitos não mudou.

EFE |

O primeiro dos três dias de debate começou sem a presença do ator principal desta conferência, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, que só participará do evento a partir de amanhã.

Isso acabou impedindo que houvesse um diálogo direto entre Washington e Rússia e o Irã, os convidados "complicados" desta primeira sessão.

O discurso de abertura do ministro de Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, foi carregado de desejos positivos e de apelos à construção de uma aliança global para o desarmamento e à cooperação mundial em temas de segurança, sem que isso leve a questionar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Os pronunciamentos dos representantes de Moscou e Teerã, por sua vez, colocaram o público de novo frente à crua realidade.

O presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, criticou os Estados Unidos, país ao qual acusou de aplicar uma política de "dois pesos e duas medidas", ao punir o Irã por seguir um programa nuclear pacífico e, ao mesmo tempo, "premiar" outras nações, como Índia ou Paquistão, que têm armas atômicas.

Larijani aproveitou para mandar uma mensagem de solidariedade ao movimento islâmico Hamas na Faixa de Gaza, cuja população, disse, foi alvo de "um terrível massacre" por parte de Israel, enquanto "Ocidente e EUA se calavam".

O político insistiu em que a estratégia seguida pelos EUA nos últimos anos conseguiu apenas fomentar o terrorismo.

Além disso, o presidente do Parlamento iraniano pediu a Obama para aproveitar o bom momento para oferecer um dialogo verdadeiro, escutando o que outras culturas têm a dizer, propondo novas estratégias de defesa e com espírito multilateralista, e não unilateralista.

Larijani insistiu em que o Irã nunca teve a intenção de ter armas atômicas, porque "isso não vai de acordo com o espírito da revolução islâmica", mas não abriu uma brecha de aproximação com o Ocidente.

Por outro lado, se, em algum momento, o discurso de Steinmeier teve tom de crítica foi ao advertir Teerã de que não devia interpretar a oferta de diálogo de Barack Obama como disposição a fazer qualquer concessões no tema nuclear.

O vice-primeiro-ministro russo, Serguei Ivanov, foi outro que não fez, em Munique, ofertas que apontassem para um degelo imediato das relações.

Embora não tenha tido a ênfase de Vladimir Putin há dois anos, quando o então presidente russo ameaçou responder ao Sistema de Defesa Nacional contra mísseis dos EUA no Leste Europeu com um novo rearmamento, Ivanov advertiu, no mesmo palanque, de que a iniciativa de Washington representa um perigo para o mundo.

O vice-primeiro-ministro disse que os lugares escolhidos pelos EUA para instalar seu sistema antimísseis, Polônia e República Tcheca, indicam que Washington pretende intimidar Moscou.

Ele lembrou que o presidente Dmitri Medvedev afirmou que não instalará mísseis de curto alcance em Kaliningrado se Washington prescindir do sistema antimísseis na República Tcheca e na Polônia.

Como oferta de compromisso, propôs uma solução conjunta de Estados Unidos, Europa e Rússia, se os três "avaliarem conjuntamente os perigos e os enfrentarem em conjunto", disse Ivanov.

Em tal caso, acrescentou, poderiam ser usadas as bases de radares no sul da Rússia.

O primeiro debate aconteceu sob o título de "não-proliferação, controle de armamento e o futuro das armas nucleares: é possível um nível zero?".

Já o segundo dia, no qual discursarão Biden, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, versará sobre o futuro da Otan, as relações com a Rússia, o problema do gás, Oriente médio e o futuro da segurança europeia.

Participam da conferência mais de 300 representantes de 50 países, entre eles uma dúzia de chefes de Estado ou Governo e uma aproximadamente 50 ministros. EFE ih/db

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