Conferência de Poznan abre caminho para novo acordo sobre o clima

A comunidade internacional estabeleceu oficialmente em Poznan (Polônia) o caminho que deve levar, dentro de 12 meses, à conclusão de um novo acordo internacional de combate ao aquecimento global.

AFP |

Na noite de sexta-feira, os delegados dos 192 Estados membros da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês) adotaram o calendário e o conteúdo das negociações que devem resultar em um acordo ambicioso em dezembro de 2009 em Copenhague.

"Os governos enviaram um sinal político forte de que, apesar da crise econômica e financeira, é possível mobilizar recursos significativos tanto para atenuar como para a adaptação nos países em desenvolvimento", afirmou o secretário executivo da UNFCCC, Yvo de Boer.

Após vários dias de árduas negociações entre a União Européia (UE) e os países em desenvolvimento do G77 também foi fechado um acordo para facilitar o acesso destes últimos a um fundo de financiamento que permitirá respostas aos efeitos das mudanças climáticas.

Para isto foi criado em Poznan, de forma temporária, o Conselho de Administração do Fundo de Adaptação para responder diretamente aos pedidos de financiamento dos países, evitando a burocracia internacional.

No entanto, os países em desenvolvimento também desejavam que as contribuições para este fundo, até agora ínfimas, aumentassem consideravelmente, o que esbarrou na oposição dos Estados ricos.

"Simbolicamente é um sinal de não cooperação e pesará nas consciências em 2009. A cooperação Norte-Sul retrocedeu", opinou um delegado que pediu anonimato.

Aos mais de 12.000 delegados reunidos em Poznan desde 1º de dezembro se uniram na quinta-feira os ministros do Meio Ambiente de quase 150 nações. O objetivo era iniciar as negociações que devem prolongar o Protocolo de Kioto, que expira em 2012.

Conforme o que havia sido estabelecido ano passado em Bali (Indonésia), as economias desenvolvidas terão que se comprometer com objetivos específicos de redução das emissões que provocam o efeito estufa, enquanto os países em desenvolvimento também terão que executar ações, para as quais terão ajuda financeira e tecnológica.

Ao fim da conferência, as organizações ecológicas manifestaram dececpção e denunciaram a falta de progressos.

Os países em desenvolvimento apresentaram propostas importantes, como a do Brasil de reduzir em 70% o desmatamento até 2018.

"Porém, os países ricos não reagiram", afirmou Barry Coates, diretor da ONG Oxfam.

Na sexta-feira, as negociações de Poznan receberam o estímulo da aprovação em Bruxelas de uma meta da UE de reduzir em 20% até 2020 as emissões que provocam o efeito estufa em comparação com os níveis de 1990.

"A UE nos deu um exemplo fantástico", afirmou John Kerry, presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado americano, enviado a Poznan pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama.

As organizações de defesa do meio ambiente, no entanto, não compartilharam a euforia. As mesmas lamentaram que o plano europeu não inclua compromissos financeiros com os países em desenvolvimento e que as negociações sob mediação da ONU sejam mais lentas.

"Mesmo se os progressos pareçam dolorosamente lentos (...), acho que as razões para ter esperança e ser otimista são mais importantes que as razões para duvidar e se desanimar", afirmou o ex-vice-presidente americanoe e prêmio Nobel da Paz, Al Gore, em Poznan.

Retomando o slogan de campanha de Obama "Yes, we can" (Sim, nós podemos), Gore manifestou esperança de que um acordo seja concluído em 2009.

acc/fp

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