Bruxelas, 11 jul (EFE).- A conferência de doadores para o Kosovo, realizada em Bruxelas, conseguiu hoje firmar compromissos por um total de 1,2 bilhão de euros para impulsionar a economia e o Governo desse território durante o período 2009-2011.

O primeiro-ministro kosovar, Hashem Thaçi, destacou que a conferência foi um "sucesso extraordinário", dizendo que marcará o início de "um novo capítulo" na história do Kosovo, que proclamou unilateralmente sua independência da Sérvia em fevereiro deste ano.

A quantia prometida hoje supera a que tinha sido pré-estabelecida pela Comissão Européia (CE) que seria de 1 bilhão de euros.

A União Européia foi quem ofereceu a maior doação: 508 milhões de euros.

Com esta contribuição, "a UE demonstra seu compromisso com o Kosovo e com a estabilidade dos Bálcãs", afirmou o comissário europeu para Ampliação, Olli Rehn, que agradeceu as doações prometidas por outros doadores.

"O 1,2 bilhão prometido hoje ajudará a criar um futuro melhor para todos os habitantes do Kosovo", declarou.

Do total, 1,1 bilhão será destinado ao desenvolvimento econômico e social do Kosovo, enquanto os outros 100 milhões ficarão como reserva de contingência para enfrentar as possíveis dívidas que o território poderia herdar após sua separação da Sérvia.

Os Estados Unidos prometeram 255 milhões de euros. Outros importantes doadores foram a Noruega (100 milhões), a Suíça (46 milhões), a Arábia Saudita e a Turquia (30 milhões cada um).

Vários países da UE anunciaram contribuições individuais, entre eles Alemanha (100 milhões), Luxemburgo e Reino Unido (30 milhões), Holanda e Finlândia (16 milhões), Dinamarca (15 milhões), Itália (13 milhões), Suécia (10 milhões) e Áustria (6 milhões).

Os doadores concordaram em pedir "um plano de ação geral para o controle interno e a auditoria na gestão dos fundos", segundo explicou no término da conferência Pierre Mirel, diretor para os Bálcãs Ocidentais na Direção Geral de Ampliação da Comissão Européia.

Além disso, demandaram que seu apoio seja acompanhado por reformas que consolidem a democracia e o respeito a todas as etnias, assim como a igualdade entre elas para o desenvolvimento socioeconômico.

Thaçi assegurou que o Kosovo se tornará "merecedor" do respaldo recebido nesta conferência, na qual o ministro das Finanças, Ahmet Shala, apresentou o programa de reformas e as necessidades financeiras kosovares.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez uma avaliação positiva desse programa de reformas, uma opinião que foi compartilhada pelo Banco Mundial (BM), pela CE e pelas agências da ONU que operam no território, segundo o Executivo do bloco.

Dos 508 milhões de euros prometidos pela UE, 358 milhões serão entregues pelo Instrumento Estrutural de Pré-Adesão e servirão para apoiar as reformas, e os outros 150 milhões serão destinados à assistência direta do orçamento público.

A UE vai destinar outros 457 milhões de euros até 2010 para sua missão civil no Kosovo, que apoiará o desenvolvimento de uma administração nesse território e terá aproximadamente 1.900 soldados internacionais, policiais, juízes, fiscais e agentes alfandegários, procedentes de todos os Estados-membros (exceto Malta).

A conferência foi convocada pela CE para buscar apoios financeiros ao processo de desenvolvimento econômico e administrativo do Kosovo, um dos territórios mais pobres da Europa.

Segundo dados do Banco Mundial, o Kosovo tinha em 2006 uma renda per capita de US$ 1.118 anuais e um índice de desemprego girando em torno de 40%.

Além disso, aproximadamente 45% da população (de um total de 1,9 milhão de habitantes) vive abaixo da linha de pobreza (1,42 euro por dia) e 15% em condições de pobreza extrema (0,93 euro diário).

Desde o conflito de 1999, no qual os bombardeios da Otan puseram fim, na prática, à presença sérvia no Kosovo, o território recebeu doações internacionais no valor de aproximadamente 2 bilhões de euros, de acordo com dados do BM. EFE rcf/bm/ma

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