Conferência de Cabul é 'grande passo' para Afeganistão, diz Obama

Maior reunião sobre Afeganistão em três décadas estabelece que forças afegãs assumam algumas áreas do país até fim deste ano

iG São Paulo |

O presidente americano, Barack Obama, cumprimentou nesta terça-feira a conferência internacional de Cabul, dizendo que esta representa um "grande passo adiante" para o futuro do Afeganistão.

Obama insistiu que a estratégia dos Estados Unidos no Afeganistão é correta, enquanto o primeiro-ministro britânico, David Cameron, em visita a Washington, disse que há um "progresso real".

A comunidade internacional aprovou na terça-feira os planos do governo afegão de assumir a responsabilidade de sua segurança para 2014 , alcançar a paz depois de nove anos de guerra e tomar um maior controle dos projetos de ajuda.

Operações de segurança a cargo do governo

As forças afegãs devem comandar as operações de segurança em todo o país até 2014, e até o fim do ano as tropas estrangeiras se tornarão supérfluas em algumas áreas.

Esse quadro - que alguns consideram otimista demais - pressupõe um sucesso do atual contingente de 150 mil soldados estrangeiros sob o comando da Otan, envolvidos numa operação contra a milícia Taleban no "lar espiritual" dos militantes, no sul do Afeganistão. Outra premissa é de que milhares de insurgentes serão convencidos a deporem suas armas.

A real situação da segurança no país foi demonstrada na terça-feira quando um avião que transportava o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para a conferência teve de pousar na base aérea de Bagram, 60 quilômetros ao norte de Cabul, já que um ataque dos militantes com foguetes o impediram de aterrissar no aeroporto da capital.

Cerca de 60 ministros estrangeiros, inclusive a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, participaram da conferência. Apesar do forte esquema de segurança, os insurgentes conseguiram durante a noite lançar pelo menos cinco foguetes perto do aeroporto e no bairro diplomático, sem causar vítimas.

O comunicado final da conferência disse que o governo afegão poderia receber mais responsabilidades acerca de seus próprios assuntos - inclusive a segurança -, em troca de garantias de que melhorará seus padrões e sua transparência.

"As Forças Nacionais de Segurança Afegãs deveriam liderar e conduzir operações militares em todas as províncias até o final de 2014", disse o comunicado.

O parlamentar Daud Sultanzoi disse que a meta é louvável, mas parece otimista em excesso. "Olhando de uma perspectiva realista, é uma meta muito boa e necessária, mas em termos da sua praticidade há muitas questões que têm de ser resolvidas antes que possamos realmente adotar um cronograma", disse ele.

Os EUA pretendem começar a retirar suas tropas em julho do ano que vem, e Hillary disse à conferência que essa previsão "captura tanto o nosso senso de urgência quanto a força da nossa resolução". "O processo de transição é importante demais para ser adiado indefinidamente", acrescentou.

Segundo Hillary, ao compromisso militar americano no Afeganistão corresponderá o que ela chamou de um movimento civil sem precedentes para o desenvolvimento econômico. Na segunda-feira, Hillary disse que Washington estava "pressionando o governo afegão em todos os níveis para que assumisse mais responsabilidades e fosse mais efetivo no combate à corrupção". Ela ainda advertiu Cabul contra tentativas de firmar um acordo de paz com o Taleban, a al-Qaeda e outros grupos militantes que os Estados Unidos consideram irreconciliáveis. O Taleban insiste que vai continuar lutando até que todas as forças estrangeiras deixem o país.

Os participantes da conferência decidiram também que nos próximos dois anos pelo menos 50 por cento da ajuda ao desenvolvimento deve passar pelo governo afegão. Atualmente são apenas 20 por cento. A ONG Oxfam diz que o Afeganistão já recebeu mais de 40 bilhões de dólares desde 2002, sendo mais ou menos metade para equipar e treinar forças militares e policiais.

"Continuo determinado a que nossas forças nacionais de segurança afegãs sejam responsáveis por todas as operações militares e policiais em todo o nosso país até 2014", disse o presidente Hamid Karzai no evento.

* Com Reuters, EFE e BBC Brasil

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