Conferência da ONU reunirá 192 países para debater mudança climática

Nacho Temiño. Varsóvia, 1 dez (EFE).- A 14ª conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para a mudança climática (UNFCCC) teve início hoje em Poznan, na Polônia, com representantes de 192 países que debaterão o futuro do planeta, em meio ao pessimismo gerado pela crise financeira e à esperança de que Barack Obama envolva os Estados Unidos na luta contra o aquecimento global.

EFE |

"Os cientistas compartilham a visão de que um aumento de temperatura superior a dois graus terá conseqüências irreversíveis em praticamente todos os ecossistemas", afirmou o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, na inauguração do evento.

A conferência é um passo prévio às negociações que devem ser concluídas no ano que vem em Copenhague, na Dinamarca, com um novo acordo que substitua o Protocolo de Kioto a partir de 2012.

O presidente da conferência e ministro do Meio Ambiente polonês, Maciej Nowicki, lembrou as conseqüências que a humanidade enfrentará se os atuais níveis de poluição continuarem.

"Grandes secas e inundações, ciclones que aumentarão seu poder destrutivo, epidemias, uma dramática queda da biodiversidade, conflitos sociais e inclusive armados, migrações a uma escala imprevisível", afirmou.

A lista de calamidades que o ministro polonês enumerou deve ser suficiente para que os participantes da conferência de Poznan superem o obstáculo que supõe a crise financeira internacional e cheguem a um acordo que permita substituir o Protocolo de Kioto.

A atual conjuntura econômica aparece como o grande impedimento para este esperado compromisso, já que ameaça reduzir os recursos destinados à luta para salvar o planeta.

Segundo especificou o secretário-executivo da UNFCCC, Yvo de Boer, é importante que os Governos estudem como fazer com que as medidas contra o aquecimento global se conectem com a recuperação de suas economias.

O certo é que o contexto de crise financeira mundial pesa e se deixa notar inclusive na União Européia (UE), que tenta liderar a batalha contra o aquecimento do planeta.

Para isso, o encontro terá que superar a oposição de alguns membros, como a própria Polônia, que pedem a diminuição das medidas ambientais apoiando-se na má situação econômica.

A ONU lança a mensagem de que a crise será ainda maior se a atual situação econômica se transformar em uma desculpa e se decisões efetivas contra o aquecimento global não forem tomadas urgentemente.

Frente a este panorama obscuro, a recente vitória de Obama nas eleições presidenciais americanas renova as esperanças de que os EUA se envolvam na tarefa de salvar o planeta, sobretudo levando em conta que Washington ainda não ratificou o Protocolo de Kioto.

Obama não estará presente nesta reunião, onde a delegação americana seguirá pertencendo à administração Bush, mas é esperada a participação de vários congressistas liderados pelo democrata John Kerry, que representarão o presidente eleito.

Uma mudança na postura dos EUA será determinante para conseguir o envolvimento das potências emergentes - Brasil, China, Índia, África do Sul e México - que poluem tanto quanto as industrializadas, e cuja participação é imprescindível para se chegar a um consenso em Poznan que conduza o mundo a um Protocolo pós-Kioto.

Por sua vez, os Estados emergentes pedem o aceleramento da transferência tecnológica e o estabelecimento de um fundo de ajudas para lutar contra o aquecimento global, além de culparem o Primeiro Mundo pelo problema climático e reivindicarem seu direito ao desenvolvimento para alcançar os níveis das nações mais ricas.

Assim, será fundamental que a comunidade internacional deixe suas diferenças de lado e se una para trabalhar sobre o plano de ação estipulado na anterior conferência de Bali, na Indonésia, em 2007, que passa pela adaptação, pela transferência tecnológica e pelo financiamento de medidas para combater o aumento da temperatura global.

Na reunião de Poznan participarão mais de 8 mil delegados de todo o mundo, entre eles dezenas de ministros de Meio Ambiente e Finanças, que debaterão a delicada situação sob o olhar atento de quase mil de jornalistas.

Além disso, centenas de ativistas de organizações ambientalistas e representantes de empresas participarão das reuniões e mesas-redondas sobre o clima, onde também se ouvirá a voz de prêmios Nobel como Al Gore, Lech Walesa, e da queniana Wangari Maathai.

Os 40 mil metros quadrados do recinto contam com 34 salas de conferência, nas quais durante duas semanas se produzirá um árduo trabalho que será decisivo para o futuro do planeta. EFE nt/ab/plc

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG