Conferência climática da ONU avança em ajuda a países pobres

POZNAN - As conversações da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima avançaram, na sexta-feira, em direção à criação de um fundo para ajudar os países pobres a se adaptaram às mudanças climáticas, como inundações, secas ou o aumento no nível dos oceanos, após duas semanas de impasse.

Reuters |

"Estou muito feliz", disse Richard Muyungi, chefe do conselho do Fundo de Adaptação, no último dia da conferência reunindo delegados de 189 países para avaliar o lento progresso em direção a um novo pacto sobre o clima, que deverá ser selado até o fim de 2009.

Muyungi afirmou que o principal ponto do impasse - a autoridade do conselho para garantir aos países em desenvolvimento acesso direto à verba do fundo, que poderia chegar a 300 milhões de dólares por ano até 2012 - estava quase resolvido.

A União Européia havia dito que o acesso muito fácil ao dinheiro poderia estabelecer um precedente ruim a um fundo criado para ajudar a construir barragens contra enchentes, desenvolver plantações resistentes às secas ou controlar mosquitos transmissores de doenças.

O comissário da EU para o Ambiente, Stavros Dimas, afirmou que era preciso haver garantias "de que o dinheiro será usado para adaptação" e não desviado para outros fins pelas nações em desenvolvimento.

O dinheiro será levantado principalmente por um imposto de 2 por cento sobre investimentos ambientais em países em desenvolvimento. A ONU diz que provavelmente serão necessários dezenas de bilhões de dólares por ano até 2030 para lidar com os impactos da mudança climática.

Aplausos para Gore

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore recebeu a maior salva de palmas da conferência com um discurso prevendo uma política ambiental muito mais atuante dos EUA sob o governo do presidente eleito Barack Obama, após a administração George W. Bush.

Ele também acredita que é possível fechar um novo acordo climático sob os auspícios da ONU, como planejado, no encontro em Copenhague, no fim de 2009, apesar da recessão.


Nobel da Paz Al Gore discursa na Polônia / AP

"Para aqueles que estão temerosos de que será muito difícil concluir esse processo com um novo tratado até o prazo estabelecido...digo que isso pode ser feito, isso precisa ser feito", afirmou ele.

O ex-vice-presidente foi aplaudido de pé por dois minutos após encerrar sua fala dizendo "Sim, nós podemos" - o slogan de campanha de Obama. Gore também disse que o mundo deverá ter de considerar metas muito mais rígidas para conter o aquecimento global.

Controvérsia

Entretanto, houve controversas sobre o progresso limitado feito em Poznan. A Polônia, anfitriã da conferência, aferrou-se a uma proposta de unir os resultados em uma "Parceria de Solidariedade de Poznan", apesar das objeções de algumas delegações. "Solidariedade" remete ao nome do sindicato polonês que ajudou a pôr fim ao governo comunista em 1989.

Um delegado chinês classificou a proposta como "um saco de lixo vazio", disseram delegados.

A cúpula da União Européia em Bruxelas também desviou a atenção da conferência em Poznan. Na sexta-feira, a UE fechou o acordo mais amplo do mundo para combater a mudança climática após pagar a países do Leste Europeu para que aceitem mudanças que punirão os setores energéticos que poluem muito.

O acordo histórico cortará as emissões de dióxido de carbono em até um quinto até 2020, abaixo dos níveis de 1990.

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