A Confederação Africana de Futebol (CAF) rejeitou nesta segunda-feira um pedido da seleção do Togo de voltar à Copa das Nações Africanas em Angola. Os jogadores togoleses haviam retornado a seu país na noite de domingo para cumprir três dias de luto oficial pelas vítimas do ataque do qual foram alvo na última sexta-feira.

A maioria dos jogadores teria manifestado a vontade de permanecer em Angola mesmo após o incidente, mas teriam recebido ordens do governo de retornar a seu país durante o período de luto.

O ministro de Esportes do Togo pediu à CAF que a seleção de seu país fosse reintegrada à competição após o luto.

A CAF não explicou as razões de sua decisão. Mas segundo o correspondente da BBC em Luanda, Russell Fuller, a entidade parece ter tido mais motivações políticas do que práticas.

"Pode ser que a volta da equipe do Togo acarretasse mudanças nos horários das televisões ou que fizesse com que os jogadores tivessem que entrar em campo com uma frequência maior do que a que estão acostumados. Mas nessas circunstâncias, não acredito que estes obstáculos fossem um impedimento", disse Fuller.

"A política por trás do futebol africano é extraordinária. Talvez a CAF quisesse ser vista como uma entidade com controle da situação."
Luto
A equipe do Togo voltou para casa em um avião enviado pelo primeiro-ministro togolês, Gilbert Houngbo.

"Não podemos estar de luto e, ao mesmo tempo, participar de um festival esportivo", disse o ministro dos Esportes de Togo, Christophe Padumhokou Tchao.

"Os jogadores estão indo junto com os corpos de seus irmãos que faleceram, e pedimos para a CAF encontrar uma maneira de nos incluir na competição depois", declarou.

Três pessoas morreram no ataque na província angolana de Cabinda, quando o ônibus em que os jogadores viajavam foi atingido por tiros de metralhadoras durante pelo menos 30 minutos.

O governo de Angola condenou o ataque e anunciou que está reforçando a segurança em Cabinda.

Togo deveria jogar sua primeira partida nesta segunda-feira, contra Gana.

Pelo mesmo grupo, a Costa do Marfim enfrenta Burkina Fasso.

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