Conexão na internet permitiu localizar autor de ataques na França

Polícia seguiu pista de encontro marcado pela web com a primeira vítimas dos três ataques em Toulouse e Montauban

iG São Paulo |

A identificação do computador pelo qual foi enviada uma mensagem para marcar um encontro com a primeira vítima das sete vítimas de Toulouse e Montauban - um paraquedista - permitiu aos investigadores chegar ao nome do autor dos crimes, o francês de origem argelina Mohamed Merah , de 24 anos.

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AP
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Entre as pistas seguidas pelos investigadores estava a de um encontro marcado com o paraquedista morto em 11 de março , em Toulouse, em resposta a um anúncio online sobre a venda de uma moto. Dessa forma, os investigadores conseguiram localizar o endereço direção IP (Internet Protocol) do computador do qual foi enviada a resposta ao anúncio. O endereço seria do computador de seu irmão.

O endereço IP é o número que identifica cada conexão feita na internet e se apresenta sob a forma de quatro combinações de cifras, compreendidas entre 0 e 255, separadas por pontos, como, por exemplo, 208.67.210.254.

"É como o número de um telefone. Quando um computador quer se conectar à internet, liga para outro computador e indica obrigatoriamente seu endereço de IP, que é então registrado", explicou à AFP Laurent Heslaut, diretor de estratégias de segurança da Symantec, sociedade de segurança informática. "Para chegar a uma identificação, é preciso contatar o provedor de acesso à internet para saber a quem pertence o endereço", acrescentou.

Durante todo o procedimento, os investigadores agem com autorização judicial. "Essa autorização é enviada ao site que armazena o anúncio, nesse caso o leboncoin.fr, para que dê as informações em seu poder, em especial os endereços IP das pessoas que consultaram esse endereço", explicou Benoît Tabaka, secretário-geral do Conselho Nacional Digital (CNN) e ex-consultor jurídico do grupo PriceMinister.

"Como intermediário da internet, o site deve por lei conservar esse tipo de dados durante um ano. Uma vez obtidas as informações, a polícia transmite os endereços aos provedores de acesso correspondentes", acrescentou. "Assim, com um pedido judicial, os provedores de acesso transmitem as senhas dos titulares da assinatura relacionada ao endereço IP, que pode ser uma rede empresarial ou uma conexão a domiciliar", afirmou Tabaka.

"Um pedido sobre um IP, destinado a identificar uma pessoa, não configura uma escuta telefônica, por isso uma simples autorização judicial é suficiente", completou. A respeito disso, os especialistas em informática mencionaram "falta de profissionalismo de um aprendiz de terrorista que não tentou garantir o anonimato na internet".

Cerco na França

Às 16 horas desta quarta-feira, completaram-se 17 horas desde que Merah está cercado em uma residência no norte de Toulouse por um esquadrão das forças especiais da polícia francesa. De acordo com o procurador francês François Molins, Merah estava pronto para atacar mais um soldado , o que motivou a polícia a cercá-lo durante a madrugada.

De acordo com o jornal francês Le Figaro, Mohammed Merah ligou para o canal de notícias France 24, disse o procurador Molins. Em uma conversa de dez minutos com a jornalista da TV local, ele reivindicou autoria pelos dois ataques da semana passada contra militares e o ataque de segunda-feira contra uma escola judaica . As três ações deixaram um total de seis mortos. Segundo a jornalista, o homem com quem falou era "muito eloquente" e deu detalhes específicos sobre os assassinatos.

Assista ao vídeo sobre o cerco policial na França:

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