Condoleezza Rice faz visita histórica à Líbia de Khadafi

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, chega nesta sexta-feira à Líbia para uma visita histórica, que sinaliza mais um passo da reabilitação do país junto à comunidade internacional. Esta será a primeira vez que um secretário de Estado americano vai ao país desde 1953.

BBC Brasil |

No início do mês, Líbia e Estados Unidos assinaram um acordo em que concordaram em pagar indenizações para vítimas e familiares de vítimas de ataques realizados pelos governos líbios e americanos.

O acordo inclui indenizações relacionadas ao ataque ao vôo da Pan Am que caiu sobre a cidade escocesa de Lockerbie, em 1988, assumido pela Líbia em 2003, e o bombardeio americano às cidades líbias de Trípoli e Benghazi, dois anos antes.

"Não vão existir mais guerras, ataques ou atos de terrorismo", afirmou o líder líbio, Muamar Khadafi, no começo da semana, quando o país comemorou os 39 anos da revolução que o levou ao poder.

Livro Verde
Em 1969, o jovem oficial do Exército líbio Muamar Khadafi, aos 27 anos de idade, inspirado nas idéias nacionalistas e de pan-arabismo do então líder egípcio Damal Abdel Nasser, derrubou a monarquia do país em um golpe de Estado não-violento.

A posição pró-ocidental da Líbia mudou e Khadafi fechou as bases militares americanas e britânicas existentes no país. A ideologia nacionalista, baseada no Livro Verde, de sua autoria, propunha uma alternativa aos blocos ocidentais e socialista.

Criticada por não permitir dissidência política dentro do país, a Líbia passou a ser associada com uma série de ataques internacionais (como o vôo da Pan Am), além de apoiar grupos rebeldes como o irlandês IRA e outras organizações radicais em países vizinhos como o Chade.

Em 1986, após um atentado na Alemanha que matou três soldados americanos, o então presidente americano, Ronald Reagan, apelidou Khadafi de "cachorro louco", antes de autorizar o bombardeio de cidades líbias como represália.

A ONU aprovou sanções econômicas contra o país em 1993 por causa do ataque ao avião.

Reaproximação
Analistas dizem que a Líbia começou a buscar uma reaproximação com o Ocidente quando, em 1999, entregou suspeitos do ataque de 1986 para julgamento.

No entanto, um momento crucial para a posição internacional da Líbia foi sua inclusão no chamado Eixo do Mal, termo usado pelo presidente americano George W. Bush em 2002 para se referir a países que buscavam adquirir "armas de destruição em massa".

Rapidamente, o país renunciou ao seu programa bélico e, no ano seguinte, foi retirado da lista divulgada pelo Departamento de Estado americano de paises que apóiam o terrorismo.

Estados Unidos e Líbia reativaram relações diplomáticas em 2006, e o país passou a ser considerado exemplo de pressão diplomática construtiva para lidar com outras nações consideradas párias.

Mudança
Em artigo publicado no jornal egípico Daily News, o ex-ministro das Relações Exteriores de Malta Michael Frendo afirma que as medidas promovidas por Khadafi nos últimos anos sinalizam "uma grande mudança de atitude interna, porque o país deseja construir uma economia que não seja baseada exclusivamente no petróleo".

"Mas é ingênuo esperar que as mudanças vão criar rapidamente uma democracia no estilo europeu", acrescentou. "Khadafi, entretanto, parece querer conciliar suas idéias (expostas no Livro Verde) com uma economia mais aberta."
"E essa abertura é bem-vinda porque a Líbia permanece próxima da África em geral e dos países árabes", disse Frendo. "Com uma mentalidade mais positiva, o país pode ajudar a aliviar tensões nestas regiões."
Em editorial, o jornal estatal líbio El Jamahiriya afirma que "Washington se libertou de sua mentalidade antiga, de ver o mundo como um Estado americano, e passou a ver os Estados Unidos como um Estado do mundo".

Nesta sexta-feira, Rice deve participar da iftar (a refeição no início da noite, após um dia de jejum, como manda a tradição do Ramadã, o mês santo muçulmano) com Khadafi.

Na pauta do encontro, devem constar temas como os conflitos no Chade e na região sudanesa de Darfur.

Após a Líbia, Rice deve visitar também Tunísia, Argélia e Marrocos, antes de voltar aos Estados Unidos no dia 7 de setembro.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG