Condoleezza Rice apóia Geórgia e expressa preocupação com ações russas

Misha Vignanski Tbilisi, 10 jul (EFE).- Em visita à Geórgia, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, manifestou hoje apoio ao país e à sua integridade territorial, e manifestou a preocupação de Washington com a política da Rússia para as regiões separatistas de Abkházia e Ossétia do Sul.

EFE |

Rice expressou o apoio de Washington à integridade territorial da Geórgia, mas ressaltou, ao mesmo tempo, que os conflitos devem ser resolvidos pela via pacífica.

"Damos grande importância à regra pacífica dos conflitos na Geórgia. E isto deve ser feito com base nos princípios do respeito à integridade territorial do país", disse em um comunicado conjunto à imprensa com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili.

A secretária de Estado manifestou que Washington vê com preocupação algumas das ações da Rússia sobre as regiões separatistas georgianas.

"As ações da Rússia que não ajudam o desenvolvimento do processo de paz preocupam", assinalou, em referência à decisão de Moscou de estabelecer relações econômicas com as regiões separatistas e o envio de tropas de paz adicionais à Abkházia.

"A Rússia faz parte do Grupo de Amigos e deve se comportar de modo a contribuir para o apaziguamento dos conflitos na Geórgia", afirmou.

As duas regiões separatistas rejeitam qualquer fórmula de regra que represente sua permanência dentro do Estado da Geórgia.

A Ossétia do Sul luta por sua unificação com a república russa da Ossétia do Norte, enquanto os separatistas da Abkházia proclamaram como objetivo criar um Estado independente que, no futuro, poderia ser associado à Rússia.

A secretária de Estado disse que os EUA estão dispostos "também no futuro a cooperarem com a Rússia na solução pacífica dos conflitos na Geórgia".

A situação nas regiões de ambos os conflitos foi agravada consideravelmente nas últimas semanas.

Na véspera, o Ministério de Assuntos Exteriores da Rússia acusou os EUA de encorajarem as provocações da Geórgia contra as regiões separatistas de Abkházia e Ossétia do Sul, e advertiu para o risco da explosão de um novo conflito armado no sul do Cáucaso.

"Aqueles que, apesar dos fatos, insistem em não ver o perigo e, além disso, protegem os provocadores e acusam Moscou de tudo, fazem um magro favor às autoridades georgianas, pois as fortalecem em seu convencimento de que podem atuar como desejarem", assinalou a Chancelaria russa em uma declaração pública.

Segundo o documento, "exatamente assim devem ser vistas as recentes declarações do Departamento de Estado americano" sobre a situação nas áreas dos conflitos nas duas regiões.

O Ministério da Defesa russo advertiu que os soldados que estão na Abkházia e na Ossétia do Sul têm direito a pegar em armas para fazer frente às provocações.

A Geórgia, que acusa Moscou de respaldar militar e economicamente os separatistas, exige a substituição das forças de paz russas por um contingente policial internacional, reivindicação que conta com o respaldo da União Européia (UE) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A secretária de Estado americana afirmou hoje que os EUA apóiam as aspirações da Geórgia de ingressar na Otan, e agradeceu Tbilisi por sua contribuição com a segurança global.

Ela respaldou a concessão à Geórgia do Plano de Ação, que ainda não representa a entrada na Otan, mas "constitui um caminho graças, ao qual este ou outros Estados podem se desenvolver de forma ainda mais democrática", disse.

Durante sua estadia em Tbilisi, a chefe da diplomacia americana se reuniu também com dirigentes da oposição e de ONGs, aos quais afirmou que seu país "respalda e respaldará o desenvolvimento democrático da Geórgia".

"A Geórgia é uma democracia jovem, que dá seus primeiros passos.

Esta (democracia) não se constrói de um momento para outro e ainda há muito por fazer", disse Rice na reunião, na qual os líderes opositores reiteraram suas denúncias de que a reeleição de Saakashvili, em janeiro deste ano, foi fraudulenta.

A secretária de Estado teve uma reunião à parte com a ex-presidente do Parlamento georgiano Ninó Burdzhanadze, antiga aliada do presidente Mikheil Saakashvili, mas que, por diferenças com o chefe do Estado, se negou a ser candidata à reeleição nas eleições legislativas, em maio passado. EFE bsi/fh/gs

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