Condoleeza Rice faz novas críticas à reunião de Jimmy Carter com o Hamas

A secretária de Estado americana Condoleezza Rice criticou novamente nesta terça-feira o encontro do ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter com representantes do movimento palestino Hamas, organização considerada terrorista por Washington.

AFP |

"Havíamos desaconselhado o presidente Carter a ir à região, e mais precisamente, a manter contatos com o Hamas", declarou Rice à imprensa no Kuwait, onde se encontra para uma conferência internacional sobre o Iraque.

"Queríamos nos assegurar de que não haveria confusão e que não houvesse a impressão de que o Hamas, de uma maneira ou de outra, participa das negociações de paz", disse, lembrando um conselho dado a Carter por autoridades do departamento de Estado antes de seu encontro com representantes do Hamas.

Rice ressaltou que o presidente palestino Mahmud Abbas e a Autoridade Palestina foram os únicos a participar das negociações de paz com Israel, relançadas em novembro nos Estados Unidos, durante a reunião de Annapolis.

"Os Estados Unidos não negociarão com o Hamas, e dissemos ao presidente Carter que não achávamos que um encontro com o Hamas ajudaria os palestinos", acrescentou Rice.

Carter, que se reuniu na sexta-feira e no sábado em Damasco com o líder do Hamas no exílio Khaled Mechaal, critica os Estados Unidos e Israel por excluírem das negociações de paz o movimento islâmico, que tomou à força o poder em Gaza em junho de 2007.

O Hamas, no entanto, negou na véspera que está disposto a reconhecer o direito de Israel de existir se um acordo de paz for concluído e aprovado por referendo palestino, desmentindo assim o que havia afirmado o ex-presidente americano e Prêmio Nobel da Paz.

"Aceitamos um Estado palestino nas fronteiras de 4 de junho de 1967 com Jerusalém como capital, um Estado soberano sem as colônias (israelenses), com o direito de regresso dos refugiados palestinos, mas sem o reconhecimento de Israel", afirmou o líder no exílio, em uma coletiva de imprensa.

O ex-presidente americano também declarou que o Hamas poderia reconhecer um acordo de paz negociado pelo primeiro-ministro israelense Ehud Olmert e pelo presidente palestino Mahmud Abbas, com a condição "de que seja submetido à aprovação dos palestinos, inclusive se o Hamas não concordar com alguns termos deste acordo".

Na ocasião, Rice reagiu à informação afirmando que o Hamas deve renunciar à violência e pôr fim a seus disparos de foguetes contra Israel para demonstrar que está disposto a fazer a paz.

"O que o Hamas precisa fazer está muito claro: renunciar à violência seria um bom passo para mostrar que alguém quer realmente a paz", declarou Rice um grupo de jornalistas depois de se reunir com seus colegas das monarquias do Golfo, do Egito, da Jordânia e do Iraque em Manama, capital de Bahrein.

Carter, que efetua uma viagem ao Oriente Médio para apoiar esforços de paz, já se encontrou com o presidente sírio Bachar Al-Assad, com quem conversou sobre as "relações entre a Síria e os Estados Unidos e o processo de paz".

O Hamas controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007, após vencer as forças fiéis ao grupo rival Fatah do presidente palestino Mahmoud Abbas. O Hamas não reconhece a existência de Israel, preconiza a luta armada para libertar os territórios ocupados e é acusado de realizar atentados mortíferos contra o Estado Hebreu.

No início da viagem, Israel, Carter, que foi arquiteto do tratado de paz entre Egito e Israel em 1979, afirmou não agir como mediador, estando movido pelo pedido de um diálogo com o Hamas.

O ex-presidente americano preconizou igualmente a abertura de um diálogo com a Síria, julgando difícil concluir uma paz na região sem este país.

"Jimmy Carter é um político experiente e razoável. Ele encontra Damasco a disposição para a paz no Oriente Médio", felicitou o jornal sírio al-Watan, próximo do poder.

Os Estados Unidos insistem em dizer que Carter está agindo a título pessoal e classificou essas reuniões com o Hamas como inúteis.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse claramente que Carter não representa Washington, ao se referir aos encontros do ex-presidente com os líderes do Hamas.

pfm-chw/dm/cn/fp

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG