Condenado por atentado de Lockerbie é recebido como herói

O único condenado pelo atentado de Lockerbie, em 1988, foi recebido como herói nesta quinta-feira ao chegar a Trípoli, após ser libertado por razões humanitárias pelo governo escocês.

AFP |

Abdelbaset Alí Mohamed Al Megrahi chegou às 18H30 local ao Aeroporto de Trípoli, a bordo de um avião especialmente fretado pela Líbia.

Vestido com roupa preta, o homem desceu do avião ao lado de Seif Al-Islam, um dos filhos do líder líbio, Muammar Khadafi.

Al Megrahi foi recebido por centenas de pessoas, que agitavam bandeiras líbias e escocesas e cantavam o hino nacional.

Segundo um funcionário líbio, Megrahi participará de uma grande concentração em Trípoli, ao lado de Seif Al-Islam.

A decisão do governo escocês foi criticada pelo presidente americano, Barack Obama, que qualificou a libertação de "erro".

"Entramos em contato com o governo escocês indicando nossa objeção e que consideramos a decisão um erro", disse Obama.

A Escócia alegou "razões humanitárias" para libertar Megrahi, 57 anos, vítima de um câncer terminal.

O líbio cumpria desde 2001 uma sentença de prisão perpétua pelo atentado contra o voo 103 da Pan American que fazia o trajeto entre Londres e Nova York e que explodiu quando sobrevoava a cidade escocesa de Lockerbie, matando 270 pessoas.

Megrahi foi condenado pela justiça escocesa em um tribunal especial reunido em Haia.

Em uma declaração lida por seus advogados logo depois que deixou a Grã-Bretanha, Megrahi afirmou estar aliviado por ter sido libertado, mas estimou que "essa provação horrível não terminará com minha volta à Líbia, e talvez nunca termine para mim até eu morra. Talvez minha única libertação seja a morte".

O governo escocês havia recebido em julho um pedido de libertação de Al-Megrahi por razões médicas, após outra solicitação, em maio, para a transferência do condenado à Líbia, com base em um acordo bilateral, um tratado de transferência de prisioneiros entre Líbia e Reino Unido.

Megrahi, que teve o câncer diagnosticado no ano passado, também apresentou um recurso contra sua sentença no começo do ano. Segundo seu advogado, a doença se espalhou para outras partes do corpo e está em fase avançada.

"Nosso sistema judicial exige que se imponha justiça, mas que esteja disponível a compaixão e nossas crenças ditam que se faça justiça, mas que se mostre misericórdia", destacou o ministro da Justiça da Escócia, Kenny MacAskill, ao justificar a decisão.

afp/cn/LR

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