Condenado por atentado de Lockerbie é libertado pela Escócia

Um ex-agente líbio condenado à prisão perpétua pelo atentado aéreo de 1988 sobre a cidade escocesa de Lockerbie foi libertado nesta quinta-feira, informou o governo local.

Reuters |

Abdel Basset al-Megrahi, que tem câncer terminal, voltará à Líbia graças a uma decisão de caráter humanitário, e apesar da pressão do governo dos EUA para mantê-lo na prisão.

A explosão em pleno ar do vôo 103 da companhia Pan Am matou 270 pessoas, a maioria norte-americanos.

"Megrahi agora enfrenta uma sentença imposta por um poder mais elevado", disse o ministro escocês da Justiça, Kenny MacAskill, em entrevista coletiva. "É terminal, final e irrevogável. Ele vai morrer."

Um porta-voz do governo em Trípoli disse que Megrahi está sendo levado de avião para o seu país por um filho do líder líbio, Muammar Khadaffi. "Megrahi foi libertado e está a caminho de casa", afirmou.

O ex-agente, de 57 anos, foi a única pessoa condenada por aquele atentado. Em 2002, ele perdeu um recurso contra a condenação. Em 2007, porém, uma revisão judicial feita pela Escócia concluiu que pode ter havido erro judicial no caso.

O governo dos EUA e parentes de muitos dos 189 norte-americanos mortos eram contra a libertação dele, exigindo que ele cumprisse toda a pena de prisão perpétua. Já entre os parentes britânicos das vítimas havia uma tendência em prol da sua libertação para que morra em seu país.

Megrahi deve ser recebido calorosamente por Khadaffi, cujo regime se aproximou dos principais governos ocidentais desde que abandonou o seu programa de armas nucleares, em 2003.

O caso de Megrahi se tornou um marco para o governo escocês, já que coloca em conflito uma série de interesses, entre eles o fato de que as empresas britânicas de petróleo tentam ampliar seus negócios na Líbia, e esperam que a libertação do ex-agente abra portas.

Em 2007, a empresa britânica BP encerrou 30 anos de ausência na Líbia ao assinar um acordo bilateral em que faz o seu maior compromisso de exploração de petróleo. A anglo-holandesa Royal Dutch Shell também deseja explorar as reservas petrolíferas líbias, as maiores da África.

Leia mais sobre: Abdel Basset al-Megrahi

    Leia tudo sobre: atentadocrimesrússia

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG