Por Ian Mackenzie e Ali Shuaib EDIMBURGO/TRÍPOLI (Reuters) - Um ex-agente líbio condenado à prisão perpétua por seu envolvimento no atentado aéreo de 1988 sobre Lockerbie voltou ao seu país na quinta-feira, depois de ser libertado na Escócia por razões humanitárias - ele tem câncer em estágio terminal.

Abdel Basset al-Megrahi, que supostamente tem menos de três meses de vida, foi solto por ordem do ministro escocês da Justiça, apesar da forte oposição dos EUA, que queriam que ele cumprisse a pena até o final.

"Ele é um homem que está morrendo, está terminalmente morrendo", disse o ministro Kenny MacAskill a jornalistas. "Minha decisão é de que ele volte para casa para morrer".

Centenas de jovens líbios o recepcionaram no aeroporto de Trípoli, gritando e agitando bandeiras nacionais ao verem seu carro deixando o local. Parentes das vítimas haviam dito que esperavam que ele não tivesse uma recepção de herói.

A explosão do vôo 103 da Pan Am sobre a cidade escocesa de Lockerbie, na rota Londres-Nova York, matou todas as 259 pessoas a bordo (sendo 189 norte-americanos) e 11 pessoas no solo, em 21 de dezembro de 1988.

Em nota divulgada por seu advogado após a partida, Megrahi se disse inocente pela explosão e agradeceu o povo escocês por libertá-lo.

"Aos parentes das vítimas que podem suportar me ouvir isso: eles continuam a ter minha sincera solidariedade pela inimaginável perda que sofreram. Aos que me querem mal, não devolvo isso a vocês", afirmou.

"Este horrível drama não terminou com minha volta à Líbia. Pode nunca terminar para mim até que eu morra. Talvez a única libertação para mim seja a morte."

A Casa Branca divulgou nota dizendo que "continua a acreditar que Megrahi deveria cumprir sua pena na Escócia", posição que foi "expressada repetidamente aos funcionários do governo do Reino Unido e às autoridades da Escócia".

Megrahi, 57 anos, foi a única pessoa condenada pelo atentado. Ele perdeu um recurso judicial em 2002, mas em 2007 uma revisão do seu caso concluiu que pode ter havido erro judicial. Um segundo recurso foi retirado nesta semana, abrindo caminho para a libertação por razões humanitárias.

Frank Duggan, presidente de uma associação que representa parentes de vítimas norte-americanas do atentado, disse que havia entendido que o governo líbio prometera não dar uma "recepção de herói" ao condenado.

Mas em Trípoli, apesar de a imprensa estatal não ter anunciado sua volta, centenas de pessoas foram ao aeroporto e aplaudiram ao vê-lo deixar o avião e abraçar seus filhos.

Muita gente levava cartazes com o nome da Associação Nacional da Juventude, entidade ligada a Saif al Islam, um dos filhos do dirigente nacional Muammar Khadaffi.

"Vocês prometeram, vocês cumpriram a promessa e vocês devolveram Abdel Basset al-Megrahi à sua família", dizia um dos cartazes.

Os jornalistas foram mantidos afastados da cena.

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