Condenado americano é executado por pelotão de fuzilamento

Condenado por assassinato, Ronnie Lee Gardner foi morto por policiais voluntários na madrugada desta sexta-feira

iG São Paulo |

O assassino condenado americano Ronnie Lee Gardner foi executado nesta sexta-feira por um pelotão de fuzliamento na cidade de Utah, o que o transformou no primeiro réu a ser fuzilado nos Estados Unidos desde 1996, depois que seus últimos pedidos de indulto foram negados.

Gardner, de 49 anos, foi executado por cinco atiradores de elite às 0h20 local (3h20 de Brasíllia), indicou um porta-voz do departamento correcional. O procurador-geral de Utah, Mark Shurtleff, havia anunciado a iminente execução momentos antes por meio do Twitter. "Acabo de dar a ordem de proceder à execução. Possa Deus conceder a ele a misericórdia que negou a suas vítimas", escreveu.

O procedimento de fuzilamento colocou o réu amarrado a uma cadeira parecida com a cadeira elétrica. Os encarregados de executar a pena, voluntários das forças de segurança estatais, colocaram um alvo em cima do coração do condenado e um capuz em sua cabeça.

Os atiradores ficaram atrás de uma tela com fendas estreitas para suas armas. Eles também treinaram tiro sincronizado para que fosse ouvido apenas um único barulho de disparo, em uníssono.

As identidades dos atiradores - policiais locais que se ofereceram voluntariamente para o serviço - será protegida para sempre. Os atiradores e funcionários que ajudaram no planejamento da execução receberão uma moeda comemorativa com o nome de Gardner.

Últimas horas de vida

Gardner, que foi condenado à morte há 25 anos por matar a tiros um advogado enquanto tentava fugir de uma audiência no tribunal, fez na noite de terça-feira sua última refeição - que incluiu lagosta, torta de maçã com sorvete de creme e um refrigerante 7-Up -, antes de realizar um jejum de 48 horas solicitado pelo próprio condenado.

Em suas últimas horas mostrava-se tranquilo e passou o dia lendo o romance de David Baldacci, "Divine Justice", e vendo a trilogia "O senhor dos anéis", informou um porta-voz do departamento correcional. Pela manhã, se reuniu com o advogado, depois de se despedir do irmão e da filha. Pediu que nenhum membro de sua família assistisse à execução.

A execução por fuzilamento foi declarada ilegal por Utah em 2004, mas a proibição não era retroativa. Por isso, Gardner pode escolher por qual método queria morrer e preferiu a execução ao invés de uma injeção letal.

Ao decidir a forma de morrer, Gardner, de 49 anos, não teve a intenção de causar um drama ou uma controvérsia, segundo Parnes. "Ele escolheu o fuzilamento porque achava que era mais humano . Não foi uma questão de publicidade", garantiu Andres Parnes, advogado de Gardner.

Pedidos de indulto

A execução aconteceu apesar dos pedidos de indulto de última hora. Os advogados de Gardner entregaram na quinta-feira uma carta ao governador de Utah, Gary Herbert, pedindo que recorresse às atribuições do poder Executivo para impedir o cumprimento da condenação.

Seus advogados tinham baseado suas solicitações de clemência ou adiamento da execução pelos problemas sofridos por Gardner durante sua juventude, quando foi vítima de abusos e de dependência às drogas, segundo disseram. Também afirmaram que seu cliente foi tratado injustamente durante o julgamento em 1985 porque precisava de dinheiro para pagar uma defesa legal competente.

Andres Parnes, seu advogado na etapa final do processo, assinalou que, após 25 anos no corredor da morte, a execução de seu cliente era um castigo cruel e que era melhor que pagasse seus crimes em vida na prisão.

No entanto, o governador Gary Herbert rejeitou o recurso. "Depois de uma cuidadosa revisão, não há nada nos materiais proporcionados esta manhã que não tenha sido considerado e decidido pela Junta de Indultos e Liberdade Condicinal ou os inúmeros tribunais", afirmou. "O senhor Gardner teve uma oportunidade plena e justa para que seu caso fosse considerado por inúmeros tribunais", acrescentou.

"Ato bárbaro"

Os críticos da pena de morte classificaram a execução de Gardner de ato bárbaro, nas palavras de Elisabeth Semel, diretora do seminário Pena de Morte da faculdade de direit da Universidade californiana de Berkeley.

Semel acredita que a execução de Gardner está relacionada com as raízes mórmons do estado de Utah, onde "a ideia de que se você cometeu um assassinato, a única maneira de realmente mostrar arrependimento e ser castigado é mostrando sua própria morte".

O fuzilamento é o terceiro na história dos Estados Unidos desde que a Corte Suprema voltou a instaurar a pena capital em 1976. Os dois anteriores foram também em Utah, único estado que manteve a opção entre injeção letal e disparos até 2004, quando eliminou a lei pelas críticas e pelas expectativas e publicidade gerada por este tipo de execução.

Os outros dois fuzilados em Utah foram Gary Gilmore, em 17 de janeiro de 1977, e John Albert Taylor, em 26 de janeiro de 1996. Ao contrário de Gardner, Taylor decidiu morrer desta forma para envergonhar as autoridades.

Das 49 execuções que foram realizadas em Utah desde 1850, 40 foram por fuzilamento. Outros quatro presos dos dez que estão sentenciados à pena de morte neste estado também escolheram esta forma de execução.

Segundo números do Centro de Informação da Pena de Muerte (CIPM), com a execução de Gardner já são 1.217 os condenados que foram mortos nos Estados Unidos desde que a Corte Suprema restabeleceu o castigo em 1976. Desse total, mais de um terço foram executados no Texas, o estado que mais aplica o castigo.

* Com AFP e EFE

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