Condenada, Nobel da Paz retoma rotina de isolamento em Mianmar

Bangcoc, 12 ago (EFE).- A líder do movimento democrático birmanês e prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, retomou hoje, após ser condenada mais uma vez à prisão domiciliar em Mianmar, a rotina que marcou grande parte de sua últimas duas décadas de vida.

EFE |

Suu Kyi acordou entre as mesmas paredes que a separaram do mundo exterior durante 14 anos, com correio, telefone e visitas, incluindo a de seus filhos, censuradas.

Um comboio policial de seis carros a transferiu nesta terça para casa, depois que um tribunal militar especial a declarou culpada de violar os termos da prisão domiciliar por receber um americano.

A Nobel da Paz foi sentenciada a três anos de trabalhos forçados, uma pena que acabou reduzida para 18 meses de reclusão em casa pela Junta Militar. Ainda assim, Suu Kyi deverá ficar de fora da cena política a meses das eleições presidenciais, marcadas para 2010.

A sentença gerou uma série de condenações internacionais, de Londres a Tóquio, passando pelos principais líderes do planeta, como o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon e o presidente americano, Barack Obama.

Hoje, a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), da qual Mianmar faz parte, qualificou de "decepcionante" a decisão da Justiça e pediu a libertação de Suu Kyi.

A defesa da líder opositora já trabalha para recorrer da decisão judicial, embora com poucas possibilidades de conseguir êxito.

Nyan Win, advogado e porta-voz da Liga Nacional pela Democracia (LND), o partido de Suu Kyi, anunciou hoje que recorrerá da decisão perante o Tribunal de Apelações, por considerar a sentença "incorreta".

No entanto, Suu Kyi já começou a cumprir a pena no antigo lar de sua mãe, um casarão colonial no número 54 da Avenida da Universidade, onde viveu seus outros períodos de reclusão.

A Nobel é acompanhada por suas já frequentes cuidadoras, Daw Khin Win, de 60 anos; e sua filha Win Ma Ma, de 30, militantes da LND que moram com ela há muito tempo e que foram condenadas à mesma pena de Suu Kyi.

Laços amarelos colocados por seus seguidores e uma nova cerca junto ao lago para impedir visitas indesejadas deram as boas-vindas a Suu Kyi ontem, após passar os quase três meses que durou o julgamento no presídio de segurança máxima de Insein, nos arredores de Yangun.

A casa de dois andares para onde Suu Kyi foi levada está praticamente sem mobília, já que a Nobel se viu obrigada a vender parte dos móveis e utensílios de sua mãe ao longo dos anos para não depender do regime.

No início do mês, a líder solicitou aos advogados que ordenem uma remodelação da casa, de aspecto decadente e com problemas na estrutura.

Porém, é provável que isso não ocorra, pois qualquer visita deve ser previamente aceita pelas autoridades, e os operários e arquitetos não são exceção.

Assim, o tempo seguirá completamente parado nessa avenida de Yangun, onde Suu Kyi será obrigada a retomar suas antigas rotinas, baseadas em horas de meditação diária e em ouvir rádio e suas óperas favoritas na vitrola. EFE grc/rr

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