A condenação da líder da oposição em Mianmar, Aung San Suu Kyi, a 18 meses adicionais de prisão domiciliar, nesta terça-feira, gerou protestos da comunidade internacional e fez com que a União Europeia prometesse reforçar as sanções já existentes contra o regime do país asiático. Em um comunicado publicado após a divulgação do veredicto, nesta terça-feira, a Presidência rotativa da União Europeia - ocupada atualmente pela Suécia - expressou sua condenação ao que classificou como julgamento injustificado de Suu Kyi e pediu a libertação incondicional e imediata da ativista, que recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1991 e passou 14 dos últimos 20 anos detida.

"A União Europeia responderá com medidas adicionais contra os responsáveis por este veredicto. Além disso, a União Europeia irá reforçar as medidas restritivas contra o regime de Mianmar, incluindo (as que dizem respeito) a interesses econômicos. A UE enfatiza que está pronta para revisar, emendar ou reforçar suas ações à luz dos acontecimentos em Mianmar", diz o comunicado.

Em resposta ao veredicto, o governo da França convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para terça-feira, pouco depois de o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, ter divulgado um comunicado em que afirma estar "desapontado" com a condenação de Suu Kyi.

"O secretário-geral lastima de modo veemente esta decisão e pede que o governo (de Mianmar) liberte imediatamente e incondicionalmente Aung San Suu Kyi", diz o comunicado.

O secretário-geral das Nações Unidas também expressou preocupação com o fato de a sentença de prisão domiciliar impedir a participação de Suu Kyi nas eleições de 2010 em Mianmar.

"A menos que ela e outros prisioneiros políticos em Mianmar sejam libertados e autorizados a participar de eleições livres e justas, a credibilidade do processo político (no país) continuará sob suspeita", afirmou.

Estados Unidos
A ativista foi condenada por um tribunal de Yangun por ter violado as regras da prisão domiciliar, ao permitir que um americano, John Yettaw, entrasse em sua casa em maio passado.

O governo dos Estados Unidos também expressou sua condenação à sentença.

Em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que Suu Kyi "não deveria ter sido julgada nem condenada" e pediu que a junta militar que governa Mianmar "acabe com a repressão e comece um diálogo com a oposição e grupos étnicos".

"Também pedimos pela libertação dos mais de 2 mil presos políticos (de Mianmar), incluindo o americano John Yettaw. Estamos preocupados com a sentença cruel imposta a ele, especialmente devido a suas condições médicas", disse Hillary durante visita à República Democrática do Congo.

Resposta asiática
A sentença de prisão domiciliar anterior de Suu Kyi expirou no último dia 27 de maio. A nova condenação fará com que ela ainda esteja detida durante as eleições em Mianmar, que estão marcadas para maio do ano que vem.

O partido da ativista, a Liga Nacional pela Democracia, venceu a última eleição no país em 1990, mas nunca conseguiu assumir o poder.

Na Ásia, os governos das Indonésia e das Filipinas também condenaram a sentença contra Suu Kyi.

De acordo com a correspondente da BBC no sul da Ásia, Jill McGivering, no entanto, os governos de Índia e China, os maiores parceiros comerciais de Mianmar, evitaram fazer comentários públicos sobre a condenação.

Os dois países e a Tailândia têm sido acusados de apoiar o governo militar de Mianmar, especialmente depois de os países ocidentais terem adotado sanções econômicas contra o regime.

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