Com punhos em riste e gritos enfurecidos, milhares de habitantes da cidade de El Alto chegaram, nesta segunda-feira, a La Paz para cercar a embaixada dos Estados Unidos, país que teria dado asilo político a um ex-ministro boliviano acusado de genocídio, de acordo com suas próprias declarações.

Uma multidão de indígenas aimaras caminhou pelo menos 12 km de El Alto até a sede diplomática, para protestar contra a concessão de um status favorável ao ex-ministro da Defesa Carlos Sánchez Berzaín, embora o asilo ainda não tenha sido confirmado.

O ex-ministro é responsabilizado, junto com o ex-presidente liberal Gonzalo Sánchez de Lozada, pela morte, em outubro de 2003, de cerca de 60 civis.

"Justiça, justiça, justiça!", gritavam milhares de pessoas nos arredores da embaixada.

O embaixador dos EUA na Bolívia, Philip Goldberg, recusou-se a comentar o suposto asilo político concedido por Washington ao ex-ministro.

"Não posso falar do caso porque é um assunto administrativo-legal nos Estados Unidos, e isso me impede de tocar no assunto", declarou Goldberg à imprensa local.

O diplomata se limitou a confirmar que "recebemos um pedido de extradição e vamos analisá-lo".

"Estou disponível sempre para falar com o chanceler de La Paz (David Choquehuanca) sobre qualquer tema", acrescentou.

Sánchez Berzaín, que fugiu para Miami em 2003 junto com o ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, abandonando seus cargos em meio a uma rebelião popular, disse na quinta-feira, por telefone, à imprensa local que "sou um asilado há mais de um ano, porque sou um perseguido político".

A suposta decisão de conceder asilo a Sanchéz Berzaín provocou nesta segunda-feira um grande protesto em El Alto, cenário da rebelião contra o ex-ministro.

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