Comunistas tentam recuperar monumento ao fundador do KGB

Moscou, 21 dez (EFE).- Comunistas e nacionalistas russos exigiram esta semana a devolução ao centro de Moscou do monumento ao fundador do KGB (antigo serviço secreto soviético), Félix Dzerzhinski, e anunciaram que restaurarão a estátua desmontada após a tentativa de golpe de Estado de 1991.

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Um grupo de comunistas, ultranacionalistas e veteranos dos serviços secretos depositou neste fim de semana flores no local, próximo ao Kremlin, de onde há 18 anos foi retirado o monumento ao criador dos campos de concentração soviéticos.

"A estátua de Dzerzhinski se encontra agora em mau estado, mas já arrecadamos dinheiro para restaurá-la. Após isso, apelaremos à Prefeitura de Moscou para que devolva o monumento a seu lugar", anunciou à imprensa o deputado comunista Victor Iliujin.

O ato aconteceu na praça Lubianka, em frente à sede do Serviço Federal de Segurança russo (FSB, antigo KGB), por ocasião do Dia dos Trabalhadores dos Órgãos de Segurança do Estado, que a Rússia lembra desde os tempos da URSS.

A estátua do fundador da Cheka (Comissão Extraordinária), precursora do KGB, foi retirada do centro da cidade após o fracasso da tentativa golpista na URSS em 21 de agosto de 1991, e permanece ao relento em um parque junto a outras de ídolos comunistas.

"Seja como for, recuperaremos o monumento e voltaremos a instalá-lo em seu lugar", assegurou Iliujin, presidente de uma fundação que agrupa veteranos dos serviços secretos e do Exército, segundo a agência de notícias "Interfax".

Na sexta-feira passada, comunistas e ultranacionalistas do Partido Liberal Democrático exigiram no Parlamento que o monumento a Dzerzhinski seja devolvido ao centro de Moscou como "símbolo da luta pela ordem pública".

O deputado nacionalista Serguei Ábeltsev exigiu à Duma (Legislativo) a solicitar à Prefeitura da capital a reinstalação da estátua e a devolução do nome de Dzerzhinski à praça que a acolhia.

O comunista Nikolai Kharitonov, ex-oficial do FSB, explicou que "a ideia consiste em recolocar o monumento a Dzerzhinski como símbolo da luta contra o crime".

"Ainda podemos aprender muitas coisas com ele", insistiu Jaritónov, que criticou o Kremlin e o Governo, liderado pelo ex-agente do KGB e do FSB Vladimir Putin.

Oleg Moroz, vice-presidente da Duma pelo partido do Kremlin, Rússia Unida - que controla mais de dois terços de cadeiras da câmara -, não rejeitou o convite, mas propôs aos autores da iniciativa que redijam a correspondente apelação à Prefeitura.

Putin, que devolveu à Rússia o hino stalinista, condenou há duas semanas as repressões de Stalin, mas louvou seus méritos pela industrialização da URSS e a vitória na guerra contra o nazismo.

Os comunistas já tentaram recuperar o monumento a Dzerzhinski em 2000 e 2007, mas naquelas ocasiões a Duma rejeitou seus pedidos.

A nova iniciativa indignou os setores liberais, que interpretaram a retirada da estátua como o início de uma nova era na história da Rússia.

"É como se os serviços secretos da Alemanha começassem hoje a celebrar o dia da fundação da Gestapo", declarou à rádio "Svoboda" a ex-dissidente soviética Valeria Novodvorskaya.

O presidente russo, Dmitri Medvedev, felicitou os serviços secretos pela data e ressaltou que têm "um papel-chave na defesa dos interesses nacionais, da segurança e da soberania, e dos direitos e liberdades dos cidadãos".

A gigantesca estátua de bronze do fundador da Cheka, de 16 toneladas, obra do escultor soviético Yevgueni Vuchetich, foi instalada em 1958 na então praça Dzerzhinski, em frente à sede da polícia política soviética.

Dzerzhinski (1877-1926), bolchevique de origem polonesa, é considerado responsável pela morte de pelo menos meio milhão de pessoas - incluído o czar Nicolau II, sua mulher e seus filhos - à frente da Cheka, entre 1917 e 1922.

Além de dirigir a arbitrária campanha de aniquilação de opositores, sacerdotes, capitalistas, aristocratas e camponeses ricos, Dzerzhinski estabeleceu os primeiros campos de concentração (Gulag), na ilha de Solovki, no Círculo Polar Ártico. EFE se/rr

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