Moscou, 1 mai (EFE).- Milhares de comunistas saíram hoje às ruas de Moscou para protestar contra o desfile de tropas aliadas do próximo dia 9 na Praça Vermelha, que lembrará os 65 anos da vitória sobre a Alemanha nazista.

Moscou, 1 mai (EFE).- Milhares de comunistas saíram hoje às ruas de Moscou para protestar contra o desfile de tropas aliadas do próximo dia 9 na Praça Vermelha, que lembrará os 65 anos da vitória sobre a Alemanha nazista. "Permitir a entrada de tropas da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Praça Vermelha é uma humilhação para os veteranos da Grande Guerra Patriótica", assegurou hoje Gennady Ziuganov, líder comunista russo, em referência à parte soviética da Segunda Guerra. Em discurso, Ziuganov acusou expressamente o primeiro-ministro Vladimir Putin de convidar os soldados da Otan a desfilar contra o "sagrado" mausoléu de Lenin, fundador da União Soviética. Numa das maiores manifestações comunistas dos últimos dez anos, os saudosos da URSS conduziram hoje em Moscou uma grande marcha entre a Praça de Outubro, onde está a estátua de Lenin, e a Praça do Teatro, em frente ao monumento dedicado a Karl Marx. "As tropas da Otan que bombardearam o Iraque e a antiga Iugoslávia não têm o direito moral de pisar na Praça Vermelha", assegurou à Agência Efe um porta-voz do Partido Comunista Russo. Os comunistas apontam a Otan como "um agressivo bloco militar antirrusso", que não abandonou a ideia de se expandir até as fronteiras da Rússia. Ao contrário de outras ocasiões, entre os manifestantes foi possível ver muitos jovens, que erguiam cartazes com palavras contra o Kremlin e o Ocidente. O Kremlin confirmou esta semana que soldados de Estados Unidos, Reino Unido, França e Polônia, todos membros da Otan, desfilariam pela primeira vez na Praça Vermelha. A Rússia se propôs a celebrar em grande estilo este ano o 65º aniversário da derrota de Hitler. Os eventos terão a presença, entre outros líderes, da chanceler alemã, Angela Merkel, do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi. A parada terá mais de 11 mil soldados e cerca de 300 equipamentos militares, entre mísseis intercontinentais, baterias antiaéreas, carros blindados, caminhões, aviões e helicópteros. O Kremlin retomou em 2008 os desfiles militares com mísseis intercontinentais e armamento pesado na Praça Vermelha, suspensos após a queda da URSS. Segundo estatísticas oficiais, mais de 26 milhões de soviéticos, sendo quase nove milhões de soldados do Exército Vermelho, morreram durante a Segunda Guerra Mundial. EFE io/rr

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