Comunistas e nostálgicos celebram os 130 anos de nascimento de Stalin

Comunistas e nostálgicos da URSS comemoraram nesta segunda-feira o aniversário de 130 anos do nascimento do ditador soviético Joseph Stalin.

AFP |

AP
Comunistas fazem fila para visitar o túmulo de Stalin em Moscou

Comunistas fazem fila para visitar o túmulo de Stalin em Moscou

"O que Stalin fez, em particular como líder militar supremo, o torna para sempre imortal", afirmou Guennadi Ziuganov, diretor do Partido comunista (PC) , após deixar uma coroa de flores para o "pai dos povos" na Praça Vermelha, em Moscou. Pelo menos 1.500 pessoas participaram da homenagem, segundo a rádio Eco.

Além disso, centenas de defensores de Stalin, nascido na Geórgia, se reuniram nesta segunda-feira em Gori, cidade natal do ditador, levando bandeiras soviéticas.

Entre eles estava Evgueni Djugachvili, neto de Stalin, que denunciou os ataques contra seu avô, frequentemente considerado o mais sanguinário ditador do século 19.

"É terrível que alguns coloquem Stalin e Hitler no mesmo patamar. Stalin foi um libertador contra Hitler, que foi um agressor, um colonizador de povos", alegou Djugachvili.

"Stalin é um homem político eminente, incomparável com os de agora", opinou Dimitri Petrov, engenheiro de 50 anos que prestou homenagem a Stalin na casa de São Petersburgo onde o ditador vivia em 1917. "As coisas só podem mudar com métodos duros. E estas mudanças satisfazem a todos", explicou.

Serguei Mitrojin, líder do partido reformista Iabloko, criticou as manifestações. "São cerimônias para um carrasco dos povos da URSS, uma festa sobre o sangue vertido das vítimas. A propaganda do stalinismo deveria ser proibida", escreveu Mitrojin em uma carta aberta publicada nesta segunda-feira.

Stalin continua sendo venerado na Rússia por seu papel crucial na vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. No entanto, sua responsabilidade na deportação e morte de milhões de soviéticos apenas é objeto de debate, especialmente na cúpula do Estado.

A maioria dos russos (54%) diz admirar a liderança de Stalin, embora 58% deles acredite que a Rússia de hoje não precisa de um dirigente como ele.

No fim de outubro, o presidente russo, Dimtri Medvedev, declarou que nenhuma motivação de Estado justifica as milhões de vítimas das perseguições stalinistas, em uma incomum condenação ao ditador soviético.

Em meio ao debate, a exposição "Stalin: mitos e realidade" - com fotos, retratos e documentos inéditos - foi inaugurada nesta segunda-feira em Moscou.

"O interesse dos russos por Stalin é enorme, porque a atual liderança não propõe nenhuma ideia nacional, e levou o país a uma rua sem saída", afirmou seu diretor, Yuri Iziumov.

O ministério da Cultura não deu sua autorização para que esta exposição seja realizada. Por isso, Iziumov - "membro do PC desde 1960" - a organizou graças a "doadores", informou.

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