Comunidades negras na América Latina defendem Obama

Bogotá, 30 ago (EFE) - A possibilidade de que o próximo presidente dos Estados Unidos seja negro agrada os latino-americanos de origem africana, que vêem em Barack Obama a oportunidade de acabar com o racismo, disseram à Agência Efe alguns de seus representantes.

EFE |

"Sua possível eleição (de Obama) como presidente dos EUA representa a quebra de vários estereótipos, o principal deles a discriminação racial", disse Zulu Araújo, presidente da Fundação Cultural Palmares.

Em média, um em cada cinco latino-americanos é descendente de negros e só no Brasil se prevê que a população mulata e negra de 2008 superará numericamente a branca por uma diferença mínima, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

"Representa um avanço da civilização em um país onde há 40 anos assassinavam Martin Luther King e o Ku Klux Klan atuava impunemente", acrescentou Zulu sobre senador democrata de Illinois, que é o primeiro negro a se tornar oficialmente candidato presidencial nos EUA.

Ela acredita que, se eleito presidente, Obama, que tem como rival o republicano John McCain, desenvolverá políticas de inclusão para os afrodescendentes.

Já no México, os negros têm presença em pequenas regiões de três dos 32 estados do país (Guerrero, Veracruz e Oaxaca) e não têm líderes representativos em nível nacional.

Para Lucía Cruz, da Organização de Desenvolvimento Étnico Comunitário Afrodescendente (ODECA) de Oaxaca, Obama "já ganhou pelo simples fato de ter sido nomeado".

Uma opinião similar compartilha a defensora dos direitos humanos da República Dominicana Sonie Pierre, de origem haitiana, que considera que a candidatura de Obama para as eleições de 4 de novembro reflete que as sociedades estão mudado e avançado.

O primeiro candidato negro ao Governo de Porto Rico, Rogelio Figueroa, assegurou que o fato de os EUA terem "superado o racismo na nomeação à Presidência" permite aspirar a melhores condições sociais.

Douglas Quintero, líder fundador da organização Afroamérica 21, que reúne vários grupos negros da América Latina e do Caribe, com sede no Equador, disse que com a candidatura de Obama, "aos poucos as barreiras e estereótipos vão se rompendo".

"A candidatura de Obama reflete que no mundo atual" basta "ter o conhecimento e a atitude suficientes" para exercer essa responsabilidade, acrescentou.

Um pouco distante desse otimismo, o fundador e ex-diretor da Rede de Organizações Afrovenezulanas, Jesús "Chucho" García, disse que "Obama não representa a posição da diáspora africana nos EUA (e que) sua formação teve mais a ver com a elite branca".

No entanto, García reconheceu que Obama representa "um discurso de novo tipo" nos EUA e no resto do mundo.

Inclusive o ex-presidente cubano Fidel Castro escreveu em uma de suas colunas que "do ponto de vista social e humano (Obama é) o mais avançado candidato à postulação presidencial" e que "não foi responsável pelos crimes cometidos (por Washington) contra Cuba".

Já o deputado uruguaio Edgardo Ortuño, de origem africana e da governista Frente Ampla, acredita que os EUA avançam "rumo à superação de centenas de anos de preconceitos e confrontos provocados pelo racismo". EFE ap/ab/db

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