Comunidade judaica é alvo de ataques na França por causa do conflito em Gaza

Coquetéis molotov lançados contra uma sinagoga e um centro judeu e inscursões anti-semitas são algumas das manifestações do conflito israelense-palestino na França, onde as agressões contra a comunidade judaica se multiplicaram nos últimos dias.

AFP |


Bombas incendiárias foram atiradas na madrugada desta segunda-feira em Schiltigheim, no leste da França, contra uma casa utilizada como local de culto pelos judeus.

Na noite de domingo, dois coquetéis molotov foram lançados contra a sinagoga Ohr Menahem, em Saint-Denis, na periferia norte de Paris, provocando um princípio de incêndio no café vizinho.


Rabino observa ação da polícia em sinagoga atacada / AFP


Além disso, uma dezena de inscrições anti-semitas e pró-palestinas como "Morte aos judeus", "Viva a Palestina" e "Liberdade para Gaza" foram encontradas na manhã desta segunda-feira na parede de um centro social em Puy-en-Velay (centro).

Na segunda-feira passada, um carro foi incendiado depois de ter sido lançado contra a entrada de uma sinagoga perto de Toulouse, no sudoeste da França, onde um rabino proferia uma palestra. Ninguém se feriu durante a ação.

Além disso, quatro menores foram indiciados há alguns dias por terem agredido uma adolescente judia em um subúrbio de Paris.

Estes incidentes provocaram reações indignadas das autoridades francesas, sempre atentas a repercussões em seu país do conflito israelense-palestino na Faixa de Gaza. A França possui uma das maiores comunidades judaica e muçulmana da Europa.

"Nada justifica tais práticas", declarou a ministra francesa do Interior, Michèle Alliot-Marie, depois do incidente em Saint-Denis. "A tragédia de Gaza não pode servir de pretexto para o recurso à violência em nosso território", afirmou o prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoë.

O Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM) e a Grande Mesquita de Paris, duas das mais importantes organizações muçulmanas da França, condenaram os ataques desta segunda-feira.

Desde o início da ofensiva israelense em Gaza, em 27 de dezembro, dezenas de manifestações pró-palestinas ou pró-israelenses foram organizadas na França, em um clima às vezes tenso.

"A França não vai tolerar que a tensão internacional seja utilizada como pretexto para atos de violência entre comunidades", advertira no início de janeiro o presidente francês, Nicolas Sarkozy, insistindo na importância de manter "a unidade nacional".

Os franceses estão muito divididos sobre o conflito. De acordo com uma pesquisa publicada nesta segunda-feira pelo jornal Le Parisien, 23% consideram que o movimento palestino Hamas é o maior responsável pela guerra atual, 18% acusam Israel e 28% culpam igualmente as duas partes.



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