Comunidade internacional se mobiliza para ajudar os sobreviventes do ciclone

Muitos países e organizações internacionais se mobilizaram nesta segunda-feira para ajudar os sobreviventes do ciclone que devastou neste final de semana várias regiões de Mianmar (antiga Birmânia), deixando mais de 10.000 mortos e centenas de milhares de desabrigados, segundo o ministro birmanês das Relações Exteriores, Nyan Win.

AFP |

Diante da amplitude da catástrofe, as autoridades birmanesas "se declararam prontas para receber ajuda internacional, mas as modalidades ainda têm que ser determinadas", declarou à AFP a porta-voz do Escritório de coordenação dos assuntos humanitários da ONU (OCHA), Elisabeth Byrs, nesta segunda-feira em Genebra.

Em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou que "as Nações Unidas farão todo o possível para ajudar Mianmar".

Laura Bush, esposa do presidente americano George W. Bush, prometeu nesta segunda-feira aumentar a ajuda humanitária a Mianmar, e criticou a junta militar que controla o país por não ter alertado a tempo a população.

Cinco regiões do país foram abaladas pelo ciclone Nargis, principalmente o delta de Irrawaddy (sudoeste). Segundo a imprensa, mais de 97.000 pessoas estão desabrigadas na ilha de Haing Gyi.

Várias aldeias foram totalmente arrasadas, declarou à AFP um porta-voz da Federação Internacional da Cruz Vermelha.

"Estamos distribuindo mantimentos aos desabrigados, assim como lonas de plástico para cobrir os telhados, tabletes de purificação de água, 5.000 litros de água potável, mosquiteiros, cobertores e roupas", enumerou Michael Annear, da Federação Internacional da Cruz Vermelha.

As Nações Unidas vão enviar a Mianmar uma equipe de cinco especialistas em catástrofes, destacou Byrs.

A Unicef mobilizou nesta segunda-feira cinco missões de avaliação, e o Programa Mundial de Alimentos (PAM) estocou 500 toneladas de gêneros alimentícios em Yangun e geradores no Camboja.

Os Estados Unidos desbloquearam uma ajuda de emergência de 250.000 dólares para ajudar Mianmar através sua embaixada em Yangun, e estudam os meios de trazer uma assistência suplementar", anunciou o departamento de Estado americano.

"A embaixada americana está em contato com as autoridades birmanesas", e os fundos desbloqueados passarão pelo PAM e por outras organizações "para que o dinheiro não chegue diretamente ao governo" do país asiático, inimigo de Washington na região, havia declarado mais cedo um porta-voz da Casa Branca.

A Comissão Européia liberou uma verba de dois milhões de euros.

A Noruega anunciou a intenção de contribuir com 1,3 milhão de euros através da ONU ou da Cruz Vermelha, a Alemanha afirmou ter dado 500.000 euros às organizações humanitárias alemãs e a Suécia vai fornecer, via a ONU, um apoio logístico e equipamentos destinados a purificar a água.

O Exército tailandês anunciou que levará medicamentos e alimentos às vítimas do ciclone, o Japão concedeu uma ajuda de emergência e a Índia enviou dois navios carregados de alimentos, tendas, cobertores, medicamentos e roupas.

O secretário-geral da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), Surin Pitsuwan, conclamou "todos os membros da Asean a ajudarem urgentemente as vítimas do ciclone.

Em Yangun, a maior cidade do país, operações continuavam para retirar das ruas as centenas de árvores arrancados pela força de ventos de até 200 km/h.

"Nunca tinha visto nada igual em toda minha vida", disse à AFP um homem de 70 anos em Yangun.

Importantes canalizações foram cortadas na maior cidade de Mianmar, e muitas pessoas fizeram fila com baldes durante horas para conseguir água com vizinhos proprietários de poços particulares.

Apesar dos danos consideráveis e da gravidade da situação humanitária, o jornal oficial New Light of Myanmar informou nesta segunda-feira que o regime manteve para o próximo sábado um referendo sobre a nova Constituição, que deve abrir o caminho para eleições multipartidárias em 2010.

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