Comunidade internacional exige volta de Zelaya ao poder, diz Lula na ONU

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Assembleia Geral das Nações Unidas nesta quarta-feira, em Nova York, fazendo um apelo para que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, seja reconduzido à Presidência do país centro-americano. Durante o discurso de abertura da Assembleia - tradicionalmente feito pelo presidente do Brasil -, Lula reiterou ainda que a comunidade internacional deve estar atenta à inviolabilidade da embaixada brasileira na capital hondurenha, Tegucigalpa, onde Zelaya está abrigado desde a última segunda-feira.

BBC Brasil |

"A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a Presidência de seu país e deve estar atenta à inviolabilidade da missão diplomática brasileira na capital hondurenha", disse Lula, sendo em seguida bastante aplaudido pelos líderes presentes na sede da ONU.

A crise no país centro-americano se intensificou na segunda-feira, com a volta de Zelaya a Tegucigalpa.

O líder deposto se abrigou na embaixada brasileira, na frente da qual foram registrados confrontos entre manifestantes e forças do governo na última terça-feira.

Em um comunicado lido em rede nacional de TV na terça-feira, o presidente interino do país, Roberto Micheletti, afirmou que está disposto a dialogar com Zelaya desde que ele se comprometa com a realização de eleições marcadas para o fim de novembro.

"Doutrina absurda"
Embora tenha feito declarações em relação à crise em Honduras, o discurso de Lula foi dominado pela defesa de reformas em organismos internacionais como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.

Afirmando que a crise econômica internacional marcou a falência "da doutrina absurda de que os mercados podem se autorregular, dispensando a intervenção do Estado", Lula afirmou que é "imprescindível refundar a ordem econômica mundial".

"Meu país propõe uma autêntica reforma dos organismos financeiros multilaterais", disse.

"Os países pobres e em desenvolvimento têm de aumentar sua participação na direção do FMI e do Banco Mundial. Sem isso não haverá efetiva mudança e os riscos de novas e maiores crises serão inevitáveis."
O presidente brasileiro afirmou ainda que "não é possível que o mundo continue a ser regido pelas normas da conferência de Bretton Woods" e criticou o que chamou de "resistências em se adotar mecanismos efetivos de regulação dos mercados financeiros".

"Países ricos resistem em realizar reformas nos organismos multilaterais, como o FMI e o Banco Mundial. É incompreensível a paralisia da Rodada de Doha, cujo acordo beneficiará sobretudo as nações pobres. Há sinais inquietantes de recaídas protecionistas. Pouco se avançou no combate aos paraísos fiscais", disse o presidente.

Lula também defendeu reformas na ONU e no Conselho de Segurança das Nações Unidas, onde o Brasil reivindica um assento permanente, e classificou o embargo econômico contra Cuba como um "anacronismo".

"Não é possível que as Nações Unidas, e seu Conselho de Segurança, sejam regidos pelos mesmos parâmetros que se seguiram à Segunda Guerra Mundial", disse.

O presidente citou como exemplo de experiência de integração regional a constituição da Unasul (União das Nações Sul-Americanas) e disse que "um mundo multipolar não será conflitante com a ONU. Ao contrário, poderá ser um fator de revitalização da ONU".

Mudanças climáticas e pré-sal
O último assunto abordado pelo presidente foi a necessidade de ações para reverter o aquecimento global.

Lula afirmou que o Brasil chegará à cúpula sobre mudanças climáticas que acontece em dezembro em Copenhague, na Dinamarca, com "alternativas e compromissos precisos".

"Aprovamos um Plano de Mudanças Climáticas que prevê uma redução de 80% do desmatamento da Amazônia até 2020. Diminuiremos em 4,8 bilhões de toneladas a emissão de CO2, o que representa mais do que a soma dos compromissos de todos os países desenvolvidos juntos. Em 2009, já podemos apresentar o menor desmatamento dos últimos 20 anos".

O presidente disse ainda que se deve "exigir dos países desenvolvidos metas de redução de emissões muito mais expressivas do que as atuais" e apontou para a "profunda preocupação" sobre "a insuficiência dos recursos, até agora anunciados, para as necessárias inovações tecnológicas que preservarão o ambiente nos países em desenvolvimento."
Citando as descobertas de grande reservas de petróleo na camada pré-sal, Lula ainda afirmou que o Brasil "não renunciará à agenda ambiental para ser apenas um gigante do petróleo".

"Queremos consolidar nossa condição de potência mundial da energia verde", disse.

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