Comunidade internacional doa US$ 324 milhões para reconstrução do Haiti

Teresa Bouza. Washington, 14 abr (EFE).- A conferência de doadores do Haiti terminou hoje com a promessa de entregar US$ 324 milhões ao país caribenho, que tenta se recuperar do devastador efeito das tempestades tropicais que sofreu no ano passado, informou o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

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O dinheiro financiará o programa de dois anos para a reconstrução do país, elaborado pelo Governo do presidente René Préval e que buscar reduzir a vulnerabilidade da população aos desastres naturais, revitalizar a economia, manter o acesso aos serviços básicos e preservar um marco macroeconômico estável.

Uma das prioridades será criar 150 mil postos de trabalho mediante investimentos em infraestruturas e no setor industrial.

Além disso, o Governo espera que, no fim deste ano, as agências multilaterais de desenvolvimento cancelem US$ 1 bilhão da dívida contraída pelo Haiti.

A ex-colônia francesa é o país mais pobre da América e, nos próximos cinco anos, seu mercado de trabalho vai receber um milhão de jovens, fenômeno que os especialistas já batizaram de "tsunami juvenil".

A primeira-ministra do Haiti, Michele Duvivier Pierre-Louis, citou hoje as dificuldades que seu país enfrenta num discurso feito durante a conferência, realizada na sede do BID.

"Venho aqui com um senso de urgência", afirmou Pierre-Louis, que se referiu à explosão demográfica no Haiti como "uma verdadeira ameaça à estabilidade".

A premiê também disse aceitar "com dor" o paradoxo no qual seu país se encontra, já que este não pode abrir mão da ajuda externa se quiser alcançar suas metas de desenvolvimento e luta contra a pobreza.

"Desejamos sair desta incômoda posição ao fazer o melhor uso possível da ajuda e ao assumir a responsabilidade que nos cabe ante nosso povo e os doadores", declarou.

A conferência reuniu representantes de 20 países, além de membros da sociedade civil e de órgãos multilaterais, como os diretores do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), Dominique Strauss-Khan e Robert Zoellick, respectivamente.

Outra convidada foi a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que afirmou que o Haiti "está numa situação-limite, a partir da qual ou avança com a ajuda coletiva da comunidade (internacional) ou recua ainda mais".

Durante a reunião, os participantes apontaram tanto a urgência do momento como o progresso alcançado pelo Haiti em matéria de segurança e estabilidade econômica.

Esses avanços, porém, foram truncados, em boa parte, pelos quatro furacões que atingiram o país no fim de agosto e no começo de setembro do ano passado.

Segundo o FMI, os prejuízos foram de US$ 900 milhões, o equivalente a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do Haiti.

O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse hoje que o debilitado marco social do país e sua precária estrutura econômica deixam a nação numa situação muito vulnerável frente à atual crise financeira global.

Por sua vez, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, frisou a importância de o Haiti assegurar os progressos em segurança alcançados, em parte, graças aos 9.000 agentes das forças de paz das Nações Unidas que atuam no país.

Já o ex-presidente Bill Clinton, principal orador da conferência, destacou que o "Haiti sempre precisou de ajuda", mas que, "agora, merece-a".

"O Haiti tem uma oportunidade, a melhor oportunidade que eu presenciei", disse Clinton, que destacou o fato de o país caribenho ter "bons líderes e um bom plano".

A reunião realizada hoje em Washington tinha sido inicialmente programada para abril de 2008, mas teve que ser cancelada devido aos protestos contra a alta do preço dos alimentos, que provocaram a queda do então primeiro-ministro, Jacques-Edouard Alexis. Meses depois, os furacões provocaram o segundo adiamento do encontro. EFE tb/sc

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