Comunidade internacional critica violência contra manifestantes no Irã

Após mais um dia de protestos da oposição contra os resultados das eleições presidenciais no Irã, representantes dos Estados Unidos, de países europeus e da Organização das Nações Unidas criticaram, nesta segunda-feira, a repressão contra as manifestações no país, que deixaram ao menos 17 mortos até agora. Em um comunicado na noite desta segunda-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, afirmou que está acompanhando com preocupação a crise política no país e condenou o uso da força contra os militantes da oposição durante os protestos.

BBC Brasil |

Ban pediu que o governo do Irã, "respeite os direitos civis e políticos, especialmente a liberdade de expressão, de associação e de informação".

O secretário-geral da ONU pediu ainda que "governo e oposição resolvam as suas diferenças de maneira pacífica, por meio do diálogo e da lei".

Ban afirmou esperar "que a vontade democrática do povo do Irã seja completamente respeitada".

"Comovido"
Também nesta segunda-feira, durante uma entrevista coletiva na Casa Branca, em Washington, o porta-voz da Presidência dos Estados Unidos, Robert Gibbs, voltou a afirmar que o presidente Barack Obama está preocupado com a violência no país e defendeu novamente que os direitos dos iranianos sejam respeitados.

"O presidente continua acompanhando a situação do Irã e se coloca a favor da justiça e continua a alertar o governo iraniano contra o uso da violência", afirmou Gibbs.

O porta-voz ainda afirmou que Barack Obama está "comovido" com as imagens dos protestos transmitidas pela televisão, "particularmente pelas imagens das mulheres do Irã que estão lutando por seu direito de se manifestar e se expressar".

Perguntado se o presidente americano vê indícios de fraude nas eleições iranianas, o porta-voz da Casa Branca afirmou apenas que Obama e seu governo "têm preocupações e questões a respeito de como o processo eleitoral foi conduzido".

O Departamento de Estado americano afirmou, também nesta segunda-feira, que a abordagem dos Estados Unidos para o Irã deve ser "coordenada" com seus aliados, e que não seria produtivo que os EUA "tomassem a frente".

"Não consideramos que seja produtivo que os EUA tomem a frente. Devemos fazer isso junto (com nossos aliados)", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado Ian Kelly.

Europa
Também nesta segunda-feira, o ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha afirmou que irá retirar do Irã os familiares dos diplomatas da embaixada britânica no país.

"A violência no Irã está tendo um impacto significativo entre os familiares de nossa equipe, que não conseguem seguir a vida normalmente. Como resultado, estamos retirando os dependentes da equipe de nossa embaixada até que a situação volte à normalidade", diz um comunicado divulgado pelo Ministério das Relações Exteriores britânico nesta segunda-feira.

Em mais uma reação à crise no Irã, o governo italiano anunciou, nesta segunda-feira, que instruiu sua embaixada em Teerã a fornecer ajuda humanitária a manifestantes que sejam feridos durante os confrontos com a polícia.

A Presidência rotativa da União Europeia, ocupada atualmente pela República Checa, divulgou um comunicado nesta segunda-feira onde pede que o governo do Irã interrompa as prisões em massa e "condena as restrições impostas à imprensa e a jornalistas".

O governo checo também convocou o representante do governo iraniano no país para pedir explicações a respeito das acusações por parte do Irã de que os países ocidentais estariam "inflamando" os protestos no país e "buscando a desintegração do Irã".

Rejeitando as acusações, o governo da República Checa também pediu aos outros membros do bloco que convoquem os representantes diplomáticos do Irã para explicações.

Gás lacrimogêneo
Em mais um dia de confrontos entre manifestantes e policiais nas ruas de Teerã, a polícia iraniana utilizou, nesta segunda-feira, bombas de gás lacrimogêneo para dispersar um protesto na capital do país.

Cerca de mil pessoas se reuniram na manifestação, na praça Haft-e Tir, apesar da advertência da Guarda Revolucionária do Irã, que havia ameaçado reprimir protestos realizados sem a permissão das autoridades.

De acordo com testemunhas, a polícia contou com o apoio de membros da milícia Basij armados com cassetetes para conter a manifestação.

Também nesta segunda-feira, o órgão que supervisiona as eleições no Irã, o Conselho dos Guardiões, reconheceu que houve irregularidades em mais de 50 zonas eleitorais durante a votação.

O conselho declarou que o número de votos contados em 50 cidades ultrapassou o de eleitores registrados, mas acrescentou que isso não iria afetar o resultado geral da eleição, vencida pelo presidente Mahmoud Ahmadinejad.

O candidato presidencial derrotado, Mir Hossein Mousavi, insiste que houve fraude a favor de Ahmadinejad, e exige a convocação de uma nova eleição.

Mousavi pediu aos seus simpatizantes que continuem os protestos, mas sem colocar suas vidas em risco.

Os protestos começaram depois que Ahmadinejad foi declarado o vencedor nas eleições.

Os resultados oficiais apontaram a vitória do presidente por larga vantagem, com 63% dos votos - quase o dobro de Mousavi, o segundo colocado.

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