Comunidade internacional apóia criação de um Estado palestino

Berlim, 24 jun (EFE).- A comunidade internacional deu hoje seu apoio à criação de um Estado palestino soberano ao aprovar um pacote de ajuda econômica para o estabelecimento de um novo sistema policial e de justiça, qualificado de passo imprescindível para uma convivência pacífica com Israel.

EFE |

"De Berlim sai um claro sinal de apoio à construção de um Estado palestino", afirmou o ministro de Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, em coletiva de imprensa no fim de uma conferência organizada por Alemanha, Reino Unido e Holanda.

Steinmeier anunciou que na reunião foi conseguido que os 40 Estados participantes se comprometessem a destinar durante os próximos anos um total de US$ 242 milhões à reconstrução de um sistema policial e judicial nos territórios palestinos.

A filosofia do encontro é que somente um Estado que tem a confiança de seus cidadãos, com uma Polícia civil e tribunais efetivos, pode garantir a segurança necessária aos territórios palestinos, para se desenvolver social e economicamente.

"Algumas negociações de paz necessitam de um fundamento para se sustentar" e a criação de um sistema jurídico e policial efetivos é um ponto fundamental neste processo, ressaltou Steinmeier.

Entre outros projetos, os fundos serão destinados desde a equipamentos de policiais de tráfego a construção das delegacias necessárias e formação de juízes.

Apesar do tom de harmonia da reunião, palestinos e israelenses demonstraram mais uma vez sua desconfiança mútua.

O primeiro-ministro da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Salam Fayyad, insistiu repetidamente que nenhum programa pode ter êxito, se não se consegue que todos os envolvidos no conflito cumpram com seus respectivos compromissos.

Segundo ele, isso não só inclui os palestinos, mas também os israelenses que continuam com suas agressões contra o território palestino, mantêm sua política de assentamentos e impedem a livre circulação dos cidadãos.

Na mesma linha se expressou o secretário-geral da Liga Árabe, Amre Moussa, que exigiu o "fim imediato" da construção de novos assentamentos e afirmou que todas as delegações presentes em Berlim tinham a mesma opinião, a de que esta "tendência perigosa" é uma séria ameaça à paz.

A ministra de Assuntos Exteriores israelense, Zipi Livni, se mostrou mais conciliadora, pelo menos em seu discurso aberto ao público.

"Nossos vizinhos palestinos não são um estado terrorista, mas parceiros responsáveis no processo de paz", comentou.

A chanceler israelense disse ainda que a segurança é prioritária para Israel.

A ruptura da recém acordada trégua em Gaza também foi tema do encontro, apesar dos participantes ocidentais na entrevista coletiva final terem evitado fazer comentários.

Fayyad, por outro lado, disse que o lançamento de dois foguetes contra o sul de Israel, cuja autoria foi reivindicada pela Jihad Islâmica, evidenciam "a fragilidade desta trégua" e demonstram que o necessário é m acordo amplo e não pontual.

O primeiro-ministro da ANP evitou as críticas a seu inimigo interno, o movimento Hamas na Faixa de Gaza, e se limitou a pedir o fim da violência para que se possa encerar o bloqueio desse território palestino.

Por outro lado, criticou com dureza o bloqueio da Faixa por parte de Israel que, segundo ele, impede também que a ajuda internacional chegue à região.

Fayyad afirmou que a ajuda internacional não só estará reservada à reconstrução da Cisjordânia, mas também de Gaza e prometeu que, uma vez suspenso o bloqueio israelense "poderão ser implementados projetos lá também".

Apesar das divergências pontuais, os participantes, entre eles a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice e o ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, se esforçaram para manifestar ampla coesão.

Já os Estados europeus ressaltaram o crescente papel da União Européia (UE) no Oriente Médio.

"Não é por acaso que o lugar da conferência tenha sido Berlim.

Estamos falando da construção de um Estado, algo complicado e perigoso no Oriente Médio, mas a Europa tem muita experiência em construir novos Estados, sobretudo no leste", disse o presidente provisório da UE, o ministro de Exteriores esloveno Dimitri Rupel.

"Por isso acho que podemos ajudar os palestinos", afirmou Rupel como anotação final da conferência. EFE ih/rb/rr

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