Comunidade das Democracias critica Irã e pede volta de Zelaya

Lisboa, 12 jul (EFE).- A conferência da Comunidade das Democracias, que reuniu hoje representantes de 50 países em Portugal, se pronunciou contra os excessos do regime iraniano e pediu a restauração da normalidade institucional em Honduras.

EFE |

O encontro de um dia que reuniu chanceleres e intelectuais dos cinco continentes analisou o estado da democracia no mundo e comemorou seus avanços, mas alertou sobre as ameaças, como a pobreza, o terrorismo, a xenofobia e a falta de respeito às liberdades e aos direitos humanos.

A iniciativa, lançada pelo Governo do ex-presidente americano Bill Clinton, em 2000, na Polônia, para promover a democracia no mundo, realizou sua conferência bienal em Lisboa e pediu, em sua declaração final, a reforma das Nações Unidas, com o objetivo de torná-las mais democráticas também.

O texto de conclusões defendeu um reforço da cooperação internacional na luta contra o terrorismo, mas "respeitando sempre as leis, os direitos humanos e os refugiados".

Diante da ameaça do terrorismo para os Governos e os valores democráticos, a conferência destacou a contribuição de iniciativas a favor do diálogo intercultural, como a Aliança de Civilizações, promovida pela Espanha e pela Turquia.

Na reunião participaram, entre outros, o subsecretário de Estado dos Estados, James Steinberg, e os ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim; Espanha, Miguel Ángel Moratinos; Índia, Shashi Tharoor; Marrocos, Taieb Fassi-Fihri, e de Portugal, Luis Amado.

Outros países como a Polônia, Angola, Coreia do Sul, Mali e Cabo Verde enviaram ministros a Lisboa, enquanto que o México, Peru, Chile, Paraguai, El Salvador e Itália, entre outras nações, foram representados por vice-ministros.

O documento final adverte sobre a crise econômica, que não deve prejudicar os avanços da democracia no mundo, além de ter emitido duas resoluções particulares a favor da restauração da ordem constitucional em Honduras e contra o uso da violência pelas forças de segurança do Irã.

A Comunidade das Democracias pediu a Teerã que respeite os direitos civis e revise os últimos resultados eleitorais, além de ter manifestado o "apoio ao povo iraniano em seus protestos pacíficos".

O documento assinalou a importância "da reforma da ONU, incluindo uma transformação do Conselho de Segurança" e indicou que a modernização das instituições internacionais "pode ajudar no avanço dos Governos democráticos em todo o mundo".

Em seu 10º aniversário, cuja celebração será realizada na Polônia, em 2010, a Comunidade das Democracias passou a Presidência rotativa de Portugal para a Lituânia e reafirmou sua vocação de "promover o governo democrática global".

A declaração de Lisboa defendeu a implicação dos cidadãos nos processos políticos, que eles sejam transparentes e que se defenda a igualdade de gêneros e o acesso aos direitos e serviços básicos.

Em seu discurso na conferência, o subsecretário de Estado dos EUA expressou sua confiança de que a ação dos organismos internacionais restabeleça a democracia em Honduras e seja efetiva em outros processos na África e na Ásia.

O ministro de Assuntos Exteriores da Espanha ressaltou a "interdependência" da democracia com o respeito das liberdades e direitos fundamentais e, em declarações a jornalistas, afirmou que "a democracia não se impõe, mas são os próprios protagonistas nos diferentes países que têm que liderar as mudanças".

A Conferência homenageou o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela por seu trabalho em prol da liberdade e concedeu o prêmio Bronislaw Geremek a ele, nome dado em homenagem ao político polonês que morreu no ano passado e que participou da fundação do Sindicato Solidariedade e da transição do regime comunista em seu país.

O prêmio foi dado pelo vice-ministro de Exteriores da África do Sul, Ebrahim Ismail Ebrahim. EFE ecs/pd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG